348: Fazeres, Saberes e Modos de Vida
Debatedor: Mariana Cordeiro de Souza
Data: 30/10/2020    Local: Sala 07 - Rodas de Conversa    Horário: 08:00 - 10:00
ID Título do Trabalho/Autores
6118 NAVEGANDO PELAS ÁGUAS DA APS: ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA, UM OBJETO POLÍTICO E ARTÍSTICO
Rafael Fernandes Tritany

NAVEGANDO PELAS ÁGUAS DA APS: ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA, UM OBJETO POLÍTICO E ARTÍSTICO

Autores: Rafael Fernandes Tritany

Apresentação: Este trabalho é fruto, à medida que também é a raiz das experiências vividas por um jovem residente farmacêutico — cuja formação traz profundas marcas do modelo biomédico — a se aventurar no campo da Saúde Coletiva, mais especificamente na Estratégia Saúde da Família do município do Rio de Janeiro. É também um desvio de percurso dessa rota, em busca de um conceito de saúde distinto do transmitido nas duras masmorras da biomedicina. E por falar de fruto, para melhor compreender o caminho proposto, convoco o leitor que experimenta este relato de experiência a morder uma maçã. A maçã, para a morfologia botânica é um pomo, ou seja, um pseudofruto. Mas para quem a morde é doce, consistente, e talvez levemente ácida. A primeira visão disseca a fruta analiticamente, a segunda, por outro lado, é permeada pela fluidez das sensações. Com o doce gosto desta maçã, seguirei nadando a partir daqui, mergulhado no experimentar e sentir. Objetivo: então, nesta trajetória, narrar poeticamente essa história: o ser farmacêutico e residente multiprofissional na ESF e o fazer da Assistência Farmacêutica enquanto pilar da integralidade no Sistema Único de Saúde. Escolhi como desafio tratar de um tema de suma importância para inserção do meu núcleo profissional no SUS, a Assistência Farmacêutica (AF). Para adentrar este pântano de aparência escura e fria, trago comigo apenas um velho lampião, um par de botas e um mapa incompleto. Na figura do velho lampião, estará a Política iluminando nosso campo de visão e a Arte aquecendo-nos o coração. Fogo chama luz, e nessa fusão (missão): PolitizAr-te. O par de botas protegerá meus pés das lamas que nos prendem à lógica técnico-procedimental que permeia este pântano da AF. Com ele, sinto o chão em que piso, o território em que atuo, adubo, discuto, vivo e construo. Por fim, com um mapa incompleto, cartógrafo minhas experiências em narrativas, do miraculoso ao concreto.Há uma pressão social e mercadológica para que o farmacêutico seja reduzido ao “profissional do medicamento”. A medicalização, que engendra a medicamentalização, é uma das principais ferramentas do Complexo Médico-Industrial/Financeiro nesse contexto, atingindo inclusive formação farmacêutica. Como romper com a visão medicalizadora da vida? Como propor um modelo biopsicossocial numa perspectiva contra-hegemônica? Como formar trabalhadores do/para/no SUS (e não apenas das saúde)? Estes são alguns dos desafios que precisamos nos debruçar do ponto de vista da formação e da práxis profissional. A Assistência Farmacêutica, conjunto complexo e articulado de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde tendo o medicamento como um insumo essencial, conceitualmente, divide-se em atividades técnico-gerenciais e técnico-assistenciais. Apesar de tal divisão ser esquemática, pensando enquanto “conjunto articulado” da AF, observo uma pressão maior na garantia das atividades técnico-gerenciais. Pior, em detrimento das assistenciais. Um estoque organizado, um farmacêutico empedrado e um usuário medicalizado. Eis a tríade proposta pela SMS-RJ.Há um abismo entre a entrega de medicamentos, que ousam chamar de dispensação, e a corresponsabilização no cuidado farmacêutico. A primeira é uma tarefa maquinal restrita ao que as palavras indicam. A segunda, pelo contrário, é centrada no usuário, na escuta, no vínculo e na troca. Se não há uso racional do medicamento, a ampliação de acesso a esses é, na verdade, um perigo!Vale ressaltar que, a farmácia na ESF é um espaço privilegiado pelo vínculo, longitudinalidade e territorialização. Esses elementos colocam os cuidados farmacêuticos em um patamar diferenciado. Em resumo, quando um usuário adentra a farmácia e eu já conheço sua família, sua casa, seu trabalho, enfim, sua história, temos melhores condições para construir um plano de cuidado. Como residente multiprofissional tenho a possibilidade de experimentar um trabalho interprofissional, sem a cobrança gerencial direta sobre a farmácia. Com mais seis categorias profissionais, experimento a dialética entre campo (ESF) e núcleo (Farmácia) no fazer diário. Daí a fagulha de esperança, que me faz acreditar que aquilo que chamam de impossível ou teórico é possível e palpável. Com esse emaranhado de perguntas sem respostas e respostas sem perguntas, deixo em versos um pouco mais dessa história que vim contar. Começo admitindo que:se o cheiro é de um relato de experiência, o gostoso, com certeza, é de desabafo por essência. Mas. Por que falar de sentimentos?Isso é um trabalho acadêmico, esta é uma experiência da "ponta"Como não falar de sentimentos?Se aqui está quem os sente, e aqui está quem vos conta.Verso aqui uma história dual, de estudante e trabalhador, farmacêutico e multiprofissional. Atravessado dialeticamente, ora núcleo, ora campo, no residente, sobretudo, resistente.Tendo como Estratégia apenas uma: Saúde da Família.Triste relembro que, em suma, há 3 anos, essa ideia falia. Bom, agora você já sabe:através do poema e política, denuncio os retrocessos da "nova PNAB". Saúde e arte se entrelaçam nesta crítica.Voltando ao assunto e fugindo dele uma mudança de paradigma proponho: Desmedicalizar!Não, Isso não é um sonho!Mais do que uma pauta de luta, ou uma mudança de conduta, trata-se de um modelo em disputa. Em meio à cultura técnico-procedimental gostaria discutir sob outra perspectiva:a perspectiva técnico-sentimental viva, pulsante e ativa.(Re)Começo, então, deixando aqui uma pista do que é assistência farmacêutica:farmacêutico não é estoquista. E se você pensa que lugar de farmacêutico é somente na farmácia, isso sim é uma falácia. Mas há quem pense assim...Hoje, o processo de trabalho imposto pela SMS (RJ)centrado nas atribuições técnico-gerenciais, com reduzido quadro de profissionais esfria e esvazia as relações interpessoais e se de nada valem as relações quentes e os corpos estão separados das mentes,é preciso se reciclar, renovar, quiçá, se reinventar. Pois mais perigosa que a gripe suína é o mal causado pela biomedicina. Contra ela me armo de tecnologias.É claro, falo das tecnologias leves para o cuidado. Da papoterapia, do olhar atento, da escuta acolhedora:falo do afeto enquanto máquina transformadora no panorama nacional, somos atacado pelo governo federal seguindo a cartilha do Banco Mundial: Focalização e Cobertura Universal, mas esse projeto político não me engana, sigo acreditando no modelo Alma-Ata, enquanto eles” defendem o de Astana. E ainda tem mais, diminuição salarial, futuro incerto e PJotização.eu digo CHEGA, chega de precarização!E nesse misto de angústia e revolta, eis um sorriso nascente. Agradecido, não esforço em me conter. Respondo o sorriso sorrido, sentindo a força e o calor do vínculo me aquecer. Atravessando tempestades que nos assustam, molham e desgastam, sigo firme neste barco navegando pelas águas da APS. Sigo na certeza de que os desafios engendram as potencialidades; de que a Assistência Farmacêutica, na Estratégia Saúde da Família, é morada da promoção de uso racional de medicamentos, mas também do acolhimento, da escuta qualificada, da vigilância em saúde, do matriciamento e, sobretudo, da troca de afetos. E o afeto, no cuidado em saúde, deve ser como a fibra de uma corda que prende a vela ao mastro da embarcação. Mesmo que singela quando sozinha, pela força da adição, dá consistência às conexões, fazendo desta unidade - fibra, corda, mastro e vela - um mecanismo propulsor, com o SUS, do SUS e para o SUS. Avante, avante pelas águas da APS!

6153 ARTETERAPIA COMO MECANISMO DE REDUÇÃO DO ESTRESSE PRODUZIDO PELO AMBIENTE ACADÊMICO
Sara Cristina Pimentel Baia, Emilly Ane da Mota Cardoso, Fabiana Santarém Duarte, Irinéia de Oliveira Bacelar Simplício, Marlyara Vanessa Sampaio Marinho, Milena Beatriz de Sousa Santos, Rafaela Victoria Camara Soares, Victória Pereira de Almeida

ARTETERAPIA COMO MECANISMO DE REDUÇÃO DO ESTRESSE PRODUZIDO PELO AMBIENTE ACADÊMICO

Autores: Sara Cristina Pimentel Baia, Emilly Ane da Mota Cardoso, Fabiana Santarém Duarte, Irinéia de Oliveira Bacelar Simplício, Marlyara Vanessa Sampaio Marinho, Milena Beatriz de Sousa Santos, Rafaela Victoria Camara Soares, Victória Pereira de Almeida

Apresentação: No mundo, o nível de transtornos mentais tem aumentado significativamente e sua disseminação diferencia-se entre os grupos sociais, gênero e diferentes fases da vida. Esta situação tem despertado o interesse sobre o assunto, destacando o estresse como um fator determinante e de grande ocorrência entre esses transtornos. Assim, o estresse é definido como um conjunto de reações e acontecimentos biopsicossociais que afetam o organismo interno do ser humano, sendo um fator responsável por grande parte dos males e aflições que nos atingem e estão diretamente ligadas ao estilo de vida atual. Nesse sentido, o estresse além de ser um fator que pode provocar a evolução de inúmeras doenças, também pode desencadear detrimento na qualidade de vida do indivíduo, assim como prejuízos em sua produtividade, despertando o interesse dos estudiosos sobre as causas e as formas de diminuição do estresse, uma vez que este tem grande influencia sobre a qualidade de vida do ser humano. Desse modo, o estresse pode influenciar diretamente a trajetória universitária por inúmeros fatores, principalmente durante períodos que exigem mais esforço dos acadêmicos, tendo esses que desenvolver maior capacidade de adaptação para um melhor desempenho para cumprirem suas atividades acadêmicas. Durante a graduação várias situações podem desencadear alterações no desempenho acadêmico como carga horária extensa em sala de aula e práticas, cobrança de professores, falta de acolhimento e lazer, redução do tempo de sono e repouso, hábito alimentar insatisfatório, ansiedade, responsabilidades ligadas à universidade, isolamento, distanciamento familiar. Desse modo, para o enfrentamento das adversidades dessa fase, os jovens precisam de ajuda para manter uma vida mais agradável e menos desmotivante. Dentre as formas de melhoria na vida acadêmica destes jovens, entra como uma importante aliada a arteterapia, que trabalha com a utilização de recursos artísticos com finalidade terapêutica, a qual ocorre através de um processo criativo por meio das artes plásticas e da dramatização. Desta forma, as oficinas terapêuticas de arteterapia utilizam como tratamento variadas formas de expressão, como desenho, pintura, modelagem, colagem, bem como a dança, dramatização, expressão corporal e escrita. Alem disso, o uso de materiais e recursos mais acessíveis à população propõe a transformação de objetos do dia a dia em materiais expressivos, que além de baixo preço, também tem o simbolismo de transformação desse tipo de material com a transformação do próprio individuo. Nessa visão, e com a intenção de produzir um trabalho que possibilitasse cuidar dos acadêmicos, foi sugerido a um grupo de estudantes o desenvolvimento do Projeto Educa-Art Saúde, elaborado desde 2016. Portanto, o objetivo do presente trabalho é discorrer sobre como acontecem as oficinas dentro do projeto, as quais têm favorecido o desempenho dos estudantes, além de contribuir também para o desenvolvimento da saúde e promoção de qualidade de vida para esses acadêmicos. Desenvolvimento: Trata – se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, ocorrido com discentes da Universidade do Estado do Pará – Campus Santarém, no dia 10 de dezembro de 2019. Foi realizado nas dependências da instituição, especificamente na cantina, na qual é um lugar de encontro, descanso e lazer entre os acadêmicos. Assim, utilizou-se da arteterapia por meio do projeto de extensão EDUCA-ART Saúde, este que além de ser fundado e institucionalizado por essa instituição, também busca promover esse tipo de momento para os discentes e população em geral. As terapias utilizadas foram: mandala simples e agrupada em 3D, chaveiros de mandala, pintura, desenho, karaokê e confecção de pulseiras. Logo, os materiais utilizados para esta produção foram: papéis A4, lápis de cor, canetas coloridas, giz de cera, linhas coloridas, palitos, miçangas, tesouras e argolas com correntes para chaveiro. Inicialmente o projeto convidou o público-alvo para participar da ação, através da divulgação de marketing pelas redes sociais. Posteriormente, no dia definido, foi proposto a escolha de qual tipo de terapia realizar, ficando a cargo do participante a opção de preferência. Durante a confecção, as voluntárias do projeto empoderavam os participantes nas produções. A mandala, por exemplo, uma das técnicas utilizadas têm como significado a palavra “círculo”, na qual possui um perfil geométrico, simulando um dinamismo na conexão entre o homem e cosmos. Vale ressaltar, que as mandalas propostas podem provocar sensações diferentes em quem realiza. Esse método então foi escolhido para se utilizar com discentes por despertar a subjetividade e consequentemente produzir relaxamento, bem-estar e qualidade de vida. Concomitante a isso, outra opção muito importante utilizada foi o desenho e pintura como forma de expressão e comunicação de experiências dos participantes. Resultado: É notado que os universitários podem experimentar de alguns enfrentamentos negativos durante os anos de graduação, sejam eles da rede pública ou privada. Durante a execução da atividade do projeto vários discentes da instituição e até de faculdades privadas aderiram ao momento de relaxamento e descontração proporcionado. A execução da atividade foi planejada intencionalmente na finalização do semestre letivo, cujo momento da jornada acadêmica pode ganhar proporções exaustivas, devido a entrega de trabalhos, provas, e projetos podendo causar estresse. Durante a produção que também possibilitou a interação social, os participantes falaram sobre as tensões do ambiente universitário e quanto aquele momento ajudou no relaxamento. As idealizadoras do projeto observaram que as cores escolhidas para fazer as mandalas refletiam os sentimentos na qual aqueles acadêmicos comentavam, tivemos a experiência de observar uma participante que chegou perceptivelmente alterada e escolheu cores escuras para a sua produção, e após ter se acalmado perguntou se poderia refazer, pois as cores não lhe agradavam. Diante disso, observamos que a arteterapia oportunizou um momento de bem-estar aos alunos, considerando-se a terapêutica efetiva para gerar conforto e satisfação, estimulando o potencial criativo dos participantes. Aliado a isso, oportunizamos a participação em karaokê, onde foi bem aceito e aderido pelas pessoas que ali passavam, contribuindo com risadas e danças. As respostas diante ao karaokê demonstravam satisfação e relaxamento por parte dos discentes. A ação favoreceu a integração entre cursos, o surgimento de novas amizades e conversas, ou seja, a interação interpessoal. Considerações finais: O meio universitário consiste em um ambiente repleto de estresse, logo, a arteterapia busca promover relaxamento, fuga dos problemas e propícia o dialogo em grupo, trabalhando para que o cenário acadêmico detenha um ambiente mais saudável no que tange o aspecto da saúde mental visando promover saúde e qualidade de vida. A metodologia do projeto tem grande aceitação do público, visto que é uma forma que os universitários veem de utilizar sua criatividade e habilidades em um momento de folga da carga exaustiva de trabalhos e provas finais, fora da sala de aula e/ou dos ambientes de prática, e consequentemente em decorrência do relaxamento pode haver melhora significativa no rendimento acadêmico.

6575 BOA NOITE, BOM DIA HUAP NO DESENVOLVIMENTO DE UM CUIDADO HUMANIZADO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Gabriella Filippini Silva Ramos, Thamires Ribeiro da Silva, Célia Sequeiros da Silva

BOA NOITE, BOM DIA HUAP NO DESENVOLVIMENTO DE UM CUIDADO HUMANIZADO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Gabriella Filippini Silva Ramos, Thamires Ribeiro da Silva, Célia Sequeiros da Silva

Apresentação: A hospitalização é uma situação crítica e delicada na vida de qualquer pessoa e que, comumente, gera ansiedade, medo, preocupações e insegurança, uma vez que retira a pessoa de seu contexto, desapropriando-a de uma identidade social complexa e reduzindo-a a identidade de doente, sendo essa passiva e limitada. Associado a tal situação, tem-se a formação de profissionais da saúde focada no modelo biomédico, que reduz o paciente à sua doença e foca no tratamento e cura da mesma, além da aquisição de conhecimento técnico e estímulo à manutenção de um distanciamento emocional. Tal cenário corrobora e afirma a importância da Política Nacional de Humanização do SUS (PNH), criada em 2003 com vistas a afirmar a necessidade de uma cuidado pautado na criação de vínculos, comunicação, respeito, empatia e autonomia, gerando um protagonismo do paciente em seu processo de cuidado. Em consonância com a PNH, o projeto de extensão Boa Noite, Bom Dia HUAP (BNBD) da Universidade Federal Fluminense (UFF) foi criado em 2008 com o objetivo de auxiliar na formação dos estudantes da área da saúde, inserindo a humanização do cuidado em suas práticas, além de contribuir para um melhor período de hospitalização. O projeto visa a constituição de vínculos baseada em comunicação e escuta, mas, principalmente, através da música. A intervenção musical é utilizada nacional e internacionalmente como sendo uma intervenção alternativa a fim de se prestar um cuidado humanizado, de maneira integral e multidimensional, com enfoque além da doença, o que possibilita uma mudança fisiológica, de comportamento e até mesmo sentimento. A música utilizada no ambiente hospitalar é capaz de reduzir desconfortos, favorecer a comunicação e sociabilidade, bem como reduzir dores físicas e melhorar o bem-estar psicológico do paciente. Para além dos efeitos visualizados nos pacientes, a música auxilia no estabelecimento de vínculos, comunicação e manifestação de empatia por parte do profissional da saúde. O trabalho tem por objetivo relatar a experiência de acadêmicos do curso de graduação em enfermagem quanto à relevância do BNBD no desenvolvimento de um cuidado humanizado. Desenvolvimento: Trata-se de um relato de experiência de acadêmicos da Universidade Federal Fluminense sobre o projeto de extensão Boa Noite Bom Dia HUAP. As visitas do projeto ocorrem semanalmente nas enfermarias do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), contemplando desde a maternidade até a unidade de terapia intensiva, sendo que os alunos se encontram às 18h, a fim de organização, e a visita ocorre de 18h30 às 20h. Os alunos se preparam utilizando fantasias e adereços pertencentes ao projeto, que também conta com instrumentos musicais e pastas contendo letras de músicas para sugestão aos pacientes. Os alunos dividem-se em grupos, a depender do número de presentes, e decidem em qual enfermaria a visita vai ser realizada, sendo acompanhados por um docente ou bolsista do projeto. Antes do contato com os pacientes, um representante consulta o enfermeiro responsável pela enfermaria sobre a viabilidade da visita, a fim de saber se há pacientes mais vulneráveis tanto emocional quanto fisicamente. Isso é importante para que o grupo se prepare para possíveis extremos, desde a recusa à sensibilização e emoção. A interação entre os participantes e os pacientes se dá por meio de conversa e escuta, bem como através da música, apesar de alguns pacientes optarem por não escolher música alguma, querendo apenas conversar. Ao final das visitas, quando há participantes que estão presentes pela primeira vez no projeto, é feita uma roda de conversa estimulando a reflexão para que os mesmos compartilhem de sua experiência, relatando sobre a expectativa que possuíam acerca do projeto e como foi a experiência propriamente dita, com relação as situações e sentimentos vivenciados. O projeto dispõe, ainda, de uma conta no aplicativo instaram e Facebook, nos quais são compartilhados registros de algumas visitas e informações como dia e horário em que as mesmas ocorrem. Resultado: O grupo é misto e apresenta fluxo dinâmico, sendo formado por estudantes que frequentam com periodicidades variáveis. É composto majoritariamente por acadêmicos de períodos iniciais, por isso, o projeto torna-se a primeira oportunidade de contato com a realidade hospitalar. A música é um recurso não farmacológico com repercussões importantes no organismo, contribuindo para redução da dor e ansiedade e promovendo o bem-estar. As contas sociais no Facebook e instaram permitem o compartilhamento de experiências e reflexões que fomentam o interesse de outros alunos e promovem a identificação entre eles. Os relatos realizados após as visitas evidenciam medo e insegurança nos primeiros momentos. Ao longo das conversas e das músicas, os pacientes se abrem e revelam não só gostos musicais, mas suas histórias, angústias, temores e vontades. Isso possibilita a criação de um vínculo. A escuta, a música e as trocas realizadas geram efeitos benéficos em ambos os sujeitos. A horizontalidade desta relação permite aos estudantes a apropriação da capacidade de comunicação, escuta e empatia fundamentais para sua formação e atuação. As dificuldades relatadas se referem à abordagem e principalmente à forma correta de reação e resposta às demandas apresentadas pelos pacientes que momentaneamente encontram-se em condição de fragilidade. Na área da saúde, com início na graduação, é comum o ensino sobre o envolvimento ser um perigo para si e a impessoalidade ser uma forma de proteção. Tal pensamento gera constrangimento e uma tentativa de ocultação diante da emoção provocada no paciente, como se a sensibilidade fosse uma fraqueza. O projeto contribui para que o estudante a partir da familiarização com a realidade hospitalar e das experiências, torne-se capaz de desenvolver uma prática mais humanizada, marcada pela escuta e diálogo qualificados. Assim, o medo gradualmente é substituído por uma atitude positiva, empática e racional, mesmo na presença da afetividade. Considerações finais: Os benefícios são mútuos, pois a possibilidade de observar o sofrimento sob uma ótica pessoal e não profissional permite o desenvolvimento de um profissional de saúde mais humano. Isso significa entender a singularidade do sujeito receptor de cuidados e estar atento às necessidades não só fisiológicas, mas também psicológicas, espirituais e sociais. Assim, é possível se aproximar do conhecimento das causas do sofrimento e adoecimento. Conhecimentos técnicos aliados às experiências vivenciadas possibilitam a promoção de um cuidado integral.

7163 A USO DA MUSICOTERAPIA COMO RECURSO NA HUMANIZAÇÃO DENTRO DO AMBIENTE HOSPITALAR: UMA VIVÊNCIA NO PROJETO TERAPIA INTENSIVA DA ALEGRIA.
Beatriz Ferreira Monteiro, Aderlaine da Silva Sabino, Ariella Auxiliadora Barroso Pires dos Santos, Disley Fernades Alves, Florizia Endria Tavares Reis, Klissia de Oliveira Alves, Thalia Guimarães Piraice

A USO DA MUSICOTERAPIA COMO RECURSO NA HUMANIZAÇÃO DENTRO DO AMBIENTE HOSPITALAR: UMA VIVÊNCIA NO PROJETO TERAPIA INTENSIVA DA ALEGRIA.

Autores: Beatriz Ferreira Monteiro, Aderlaine da Silva Sabino, Ariella Auxiliadora Barroso Pires dos Santos, Disley Fernades Alves, Florizia Endria Tavares Reis, Klissia de Oliveira Alves, Thalia Guimarães Piraice

Apresentação: Terapia Intensiva da Alegria – TIA é um projeto social que desenvolve atividades lúdicas em comunidades e instituições hospitalares nas zonas da cidade de Manaus. O uso da musicoterapia é utilizado como forma de interação entre os voluntários, equipe de saúde, pacientes e familiares, e visa criar um ambiente harmonioso e interativo. O presente trabalho tem por objetivo descrever as experiências vividas no projeto Terapia Intensiva da Alegria – TIA e pontuar os principais achados. Desenvolvimento: Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, baseado nas apresentações do projeto de extensão Terapia Intensiva da Alegria – TIA, em hospitais de referência da cidade de Manaus, utilizando a música terapêutica com ferramenta na humanização aos pacientes dessas unidades. As várias apresentações se deram no segundo semestre de 2019. Resultado: Pode-se observar que o uso da música como alento é altamente pertinente, pois em sua maioria o público alvo alterou positivamente sua expressão corporal e facial, apesar de no momento estarem em um leito hospitalar. Considera-se também que o TIA também traz benefícios aos acadêmicos que tem a chance de experenciar diferentes competências essenciais para a sua formação. Entender os benefícios da musicoterapia é relevante para a formação do enfermeiro, visto que proporciona o entretenimento, distração, socialização e melhoria do bem-estar, prevenindo e aliviando sintomas relacionados as doenças, colaborando para uma melhor qualidade de vida, e para que novos estudos sejam realizados a fim de criar novas formas de cuidado ao paciente, consequentemente trazendo humanização, vinculo de confiança e diminuição do estresse, o que resulta em uma aceitação considerável diante do tratamento. Considerações finais: A musicoterapia traz benefícios singulares, pois é um método não farmacológico que oportuniza um ambiente acolhedor, dando o direito A pessoa ser de certa maneira protagonista de algo dentro do seu tratamento e conforto aos familiares e equipe de saúde. A devolutiva em sua suma é de satisfação, agradecimento e bem-estar, principalmente quando se há uma troca na hora da escolha das músicas, sempre respeitando sua autonomia de forma ética, considerando suas diferenças levando em pauta os valores do Humaniza SUS.

7353 DO ISOLAMENTO VIRTUAL A CONVIVÊNCIA COMUNITÁRIA: EXTRAPOLANDO MUROS DE UMA UNIDADE DE SAÚDE
Thaislayne Nunes de Oliveira

DO ISOLAMENTO VIRTUAL A CONVIVÊNCIA COMUNITÁRIA: EXTRAPOLANDO MUROS DE UMA UNIDADE DE SAÚDE

Autores: Thaislayne Nunes de Oliveira

Apresentação: Grupo de convivência é realizado semanalmente em uma unidade de saúde do município do Rio de Janeiro. Objetivo do trabalho: Discorrer sobre o desenvolvimento do grupo de convivência, bem como sinalizar os potenciais efeitos deste tipo de ferramenta. Método: Pesquisa de natureza empírica consiste em um relato de experiência profissional da assistente social que compõe uma equipe multiprofissional de Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) e atua em uma das áreas programáticas do município do Rio de Janeiro. Utilizou-se como método a observação participante e como instrumento o diário de campo. Resultado: O grupo é aberto e desenvolvido semanalmente no auditório de uma Clínica da Família, o público-alvo consiste em pessoas que experienciam isolamento social e ausência de rede de apoio. O resultado aponta as interações entre as usuárias desenvolvidas para além dos muros institucionais, configurados por encontros e atividades adversas entre as próprias usuárias do grupo, tais como: almoços e confraternizações próximos à residência, visitas a Feira de Tradições Nordestinas e ao shopping. Análise Crítica: Participam das atividades 30 mulheres, que possuem a faixa etária entre 47 a 94 anos. O grupo foi criado com o objetivo de propiciar a aproximação do universo virtual, com aulas expositivas sobre modo de utilização de equipamentos eletrônicos como celulares e computadores, bem como oportunizar acesso à internet e as redes sociais. E no segundo momento, realização de outras atividades planejadas conjuntamente, que sucederam em desenvolvimento de oficinas com utilização de materiais recicláveis. Conclusões e/ou Recomendações: A partir os relatos das usuárias, surgiram-nos questionamentos decorrentes da importância e valorização deste espaço de cuidado, assim como dos seus efeitos. Desse modo, o que se observa, é que pessoas com questões comuns desenvolveram laços comunitários ao participar de um grupo de apoio, que possibilitaram oferta de suporte mútuo no desenvolvimento de práticas cotidianas, incidindo no próprio contexto de isolamento então vivenciado.

7922 REAPRENDENDO A SE ENTENDER: O USO DO DIÁRIO REFLEXIVO COMO RESIDENTE MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE DA FAMÍLIA ENSP/FIOCRUZ-RJ E COMO ALUNO DE PALHAÇARIA.
Marcos Paulo de Oliveira Matos

REAPRENDENDO A SE ENTENDER: O USO DO DIÁRIO REFLEXIVO COMO RESIDENTE MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE DA FAMÍLIA ENSP/FIOCRUZ-RJ E COMO ALUNO DE PALHAÇARIA.

Autores: Marcos Paulo de Oliveira Matos

Apresentação: Durante meu primeiro ano de residência multiprofissional em saúde da família e com minha aproximação da palhaçaria, novas formas de entender o cuidado foram criadas ao passo que descobria a arte clown. Como forma de processamento de memórias destas experiências formativas, o uso dos Diários Reflexivos (instrumento pedagógico do programa de residência) mostrou-se efetivo quanto ao seu objetivo de produção de conhecimento e consciência. Senti que os diários fomentaram o exercício de alteridade e da crítica sobre a realidade do serviço. O diário reflexivo pode ser resumido como uma ferramenta pedagógica com origem na antropologia e os diários de campo e de referência aos portfólios reflexivos da educação. Endereço o trabalho ao intercâmbio de experiências com a seguinte interrogação ainda sobre minha vivência como dentista-residente-palhaço: o que segue da relação cuidado-arte-ciência? Entende-se aqui que, ao invés do lugar estático cartesiano da declamação por ser profissional da saúde como finalidade, a transformação do cuidado para práticas de saúde integrativas se dá no processo de se redescobri pelos afetos numa contínua produção de si. Para tal, a ferramenta etnográfica do diário reflexivo ou ainda a formação multiprofissional, os borramentos do teatro e do sujeito-clown não produziram um ponto de chegada, mas em definitivo um ponto de partida. Usando a chave da conscientização freireana, que aponta para aprendizagens a partir da crítica para a libertação, o seguinte trabalho de relato de experiência nasce na esperança de fazer novas perguntas sobre a ontologia do sujeito da saúde e os efeitos da formação artística no exercício da repetição narrativa acadêmica em busca da diferença.

7938 ARTE E SAÚDE: EXPERIMENTAÇÕES EM TEATRO COM UM GRUPO DE IDOSAS EM BELÉM (PA)
Antonio Soares Junior, Ana Beatriz Pantoja Rosa de Moraes, Pedro Romão dos Santos Junior, Tawane Tayla Rocha Cavalcante

ARTE E SAÚDE: EXPERIMENTAÇÕES EM TEATRO COM UM GRUPO DE IDOSAS EM BELÉM (PA)

Autores: Antonio Soares Junior, Ana Beatriz Pantoja Rosa de Moraes, Pedro Romão dos Santos Junior, Tawane Tayla Rocha Cavalcante

Apresentação: O trabalho objetivou mostrar um relato de experiência a partir da vivência de um grupo de dez idosas atendidas por um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ao experimentarem uma oficina de teatro na cidade de Belém, no estado do Pará. As experimentações artísticas ocorreram durante os meses de outubro a dezembro de 2019, com dois encontros semanais, onde as participantes abarcaram um aspecto metodológico diferente do qual estavam habituadas, envolvendo jogos teatrais, brincadeiras, leituras, construção de personagens, além de uma apresentação teatral. Após a apresentação do espetáculo montado durante a oficina, foi feita uma entrevista semiestruturada a fim de conhecer as impressões das idosas sobre a vivência. As questões norteadoras consistiam em saber se já haviam participado de uma oficina de teatro, o que mais gostaram, o que menos gostaram e o que as motivou continuar até o final. Das dez entrevistadas, oito nunca tinham participado de uma oficina de teatro e duas já, mas não da forma que havia sido proposta naquela presente oficina. Ao serem questionadas sobre como foi participar desta experiência, todas apresentaram respostas positivas como “Gostei muito”, “Adorei”, entre outros neste sentido, destacando-se a frase de uma das entrevistadas, que disse “Uma novidade aos 65 anos. Me mostra que eu não estou morta, isso é muito bom”. Sobre o que não gostaram na atividade, oito disseram que não houve lado negativo e as demais relataram nervosismo na hora da apresentação e colegas que riram nas cenas consideradas “sérias”. Dentre as razões que levaram as idosas a participarem da oficina até o fim, foram comuns respostas relatando diversão, convivência social, cuidado consigo, ocupação e saúde mental. Esses resultados podem nos indicar o quanto a arte pela arte, neste caso o teatro pelo teatro, pode contribuir no processo de um envelhecimento ativo, estimulando a criatividade, memória, o autocuidado, a socialização e o envolvimento pessoal, mesmo que estes benefícios não sejam o objetivo inicial e principal, o que nos leva a concluir que a vivência em teatro pode ser uma excelente ferramenta para promoção de saúde e fins terapêuticos.

8089 CANTOS DE ESPERANÇA: A CANTATA DE NATAL QUE EMOCIONOU OS TRABALHADORES DA SAÚDE DE TEFÉ/AM
Renata Figueiró, Maria Adriana Moreira, Fabiana Mânica Martins, Alberto da Silva Retto Filho, Elenice de Lima Lopes, Geimisson Amorim Gill

CANTOS DE ESPERANÇA: A CANTATA DE NATAL QUE EMOCIONOU OS TRABALHADORES DA SAÚDE DE TEFÉ/AM

Autores: Renata Figueiró, Maria Adriana Moreira, Fabiana Mânica Martins, Alberto da Silva Retto Filho, Elenice de Lima Lopes, Geimisson Amorim Gill

Apresentação: O objetivo do presente trabalho é relatar uma experiência vivida pelos trabalhadores da Secretaria Municipal de Saúde do Município de Tefé através do “Cantos de Esperança”. O grupo Cantos de esperança surgiu da iniciativa de um grupo de trabalhadores da saúde entre Agentes de Saúdes, Fisioterapeutas, Psicólogos, Assistente Sociais, entre outros, profissionais esses envolvidos na Educação Permanente em Saúde, bem como nas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde implantadas em Tefé, como uma forma de mostrar os efeitos que a música, a melodia e o cuidado produzem na vida das pessoas quando são homenageadas, escutadas, olhadas por um olhar que não seja somente enquanto atendimento de saúde, através dos consultórios, mas que ultrapassam muros da tristeza e até mesmo das enfermidades. No período natalino, tivemos a oportunidade de levar junto as unidades de saúde e outros setores da SEMSA Tefé um momento de reflexão através das mensagens de natal, músicas tocadas e cantadas por estes profissionais. Desde que as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde - PICS foram implantadas no município de Tefé, pudemos perceber uma grande procura de trabalhadores da saúde que buscavam fazer alguma prática como Auriculoterapia, Massoterapia, entre outras. A partir daí surgiu a ideia e a necessidade de pensar em algo voltado a esses trabalhadores, como forma de cuidado, humanização e empatia. Vemos atualmente no Brasil um cenário de pessoas fisicamente e mentalmente, estressadas, com problemas depressivos, ansiosos, fatores esses que acabam favorecendo para que essas pessoas ficassem adoecidas. Foi pensando nessa questão do olhar voltado para o trabalhador que o “Cantos de Esperança” levou aos seus colegas de trabalho, um momento diferente, descontraído que produziu em nós (e também neles) afecções múltiplas, dentre os relatos destacamos: muita paz, amor e emoção, contagiando a todos onde passavam e levando uma mensagem de reflexão sobre a vida, o trabalho e sobre o ano que estava finalizando. Desenvolvimento: Durantes os dias que antecederam a Cantata de Natal, nos reunimos diariamente no horário de trabalho, onde tirávamos uma hora do dia para planejar, organizar, definir roteiro, trajeto e por fim ensaiarmos as músicas que iam ser tocadas. Nesses dias de ensaio, já era possível sentirmos a emoção dos colegas, visto que alguns estavam ali porquê de alguma forma, viam na música uma forma de expressar seus sentimentos e esquecer um pouco seus problemas. Após tudo definido e através dos ensaios acontecendo, conseguimos chegar à conclusão que durante o acontecimento da ação muita coisa poderia surgir a partir da reação das pessoas e que precisávamos estar preparados para essas possíveis surpresas. O principal objetivo desta ação era de transmitir uma mensagem de amor, cuidado e alegria para a vida das pessoas que assistiam em todos os setores que haviam sido escolhidos. Durante três dias do final do mês, sendo eles: dia 19, 20 e 23 de dezembro de 2019 o grupo “Cantos de Esperança” com o apoio e liberação da gestão, saiu em um tour na Van da SEMSA pelas UBSs Francisca das Chagas, Lourival Pires, José Lins, Policlínica Santa Teresa, Irma Adonay,  Maira Fachinni, São Miguel e os setores: Centro de Fisioterapia, Núcleo Ampliado a Saúde da Família, Endemias, Centro de Testagem e Aconselhamento, Central de Processamento de Dados, Almoxarifado, Recursos Humanos, Laboratório, Centro de Referência em Saúde do trabalhador, Centro de Atendimento Psicossocial, gabinete da secretaria e Hospital onde percorremos todos os setores e enfermarias em uma grande homenagem de natal a todos que inesperadamente se surpreenderam com a chegada do grupo nesses locais citados. Ao chegar na primeira Unidade de Saúde, o grupo discretamente se espalhava pela recepção e corredores, quando o som do violão era iniciado e ouvido, a música começava e todos devidamente uniformizados com a farda do serviço e gorros vermelhos de natal, apareciam num lindo coral, cantando um repertório de três músicas, sendo elas: “Raridade” de Anderson Freire, como uma forma de refletir os valores cristãos, fazendo-os cada um refletir sobre seu valor; em seguida cantavam “A Paz” de Roupa Nova, enfatizando a importância da paz, amor e esperança de dias melhores; e por fim a música “Então é Natal” de Simone, onde nesse momento cada trabalhador do grupo saía ao encontro dos outros trabalhadores e pacientes que estavam assistindo, e como gesto de união selavam o momento com um abraço e desejos de um Feliz Natal e Próspero Ano Novo. Ao final dessa música, cada trabalhador de forma aleatória deixava sua mensagem de Natal a quem assistia, levando-os todos os presentes a se emocionarem e a manifestarem um sentimento de gratidão. E assim seguiam para outras Unidades onde continuaram as apresentações. Resultado: Poder perceber e sentir a emoção das pessoas que paravam o que estavam fazendo para ouvir e cantar conosco foi algo grandioso, cada local por onde passamos foi possível sentir algo diferente, mesmo com risos ou choros, mas poder sentir no outro o que ele quer falar através de pequenos gestos, do olhar ou do cantar, é uma sensação de que precisamos fazer mais por nós mesmos, como trabalhadores, mas principalmente como seres humanos. Percebemos ainda o quanto as PICS têm conseguido aliviar dores e sintomas de algumas pessoas que tem procurado essa alternativa, pois, no momento em que falávamos que precisávamos estar curados das nossas emoções para poder curar nossas doenças físicas, alguns manifestavam-se e identificavam como usuários de alguma prática integrativa, entre eles profissionais e até mesmo pacientes que eram contagiados com o momento. Considerações finais: Por fim acreditar num mundo melhor parece ser algo muito distante, ainda mais quando se pensa como trabalhador da saúde em todo esse cenário vivido no Brasil atualmente, mas colocando-se com um ser que cuida do outro e ambos precisam de cuidado, vemos o quanto é importante, gestos como estes produzidos nesta ação. É evidente que podemos sim fazer uma grande diferença, como foi o caso do Cantos de Esperança. Poder sentir a alegria e emoção das pessoas que muitas vezes se doam para o fazer o melhor e passam maior parte do tempo nos seus trabalhos, foi algo inexplicável, ver a reação de cada um, os depoimentos após as apresentações, o choro, o sorriso, o sentimento de cuidado e de ser lembrado foi o que mais motivou o grupo para que continue com esse lindo trabalho, principalmente nessas épocas onde o coração se torna mais apertado, devido alguns trabalhadores estarem longe de seus familiares, ou até mesmo, passando por alguma dificuldade e desejarem apenas uma atenção especial. O grupo conseguiu além de passar uma mensagem de paz e amor a cada um que assistiu, trazendo emoção para os pacientes e trabalhadores, conseguiu ainda se envolver numa mistura de sentimentos que o deixaram ainda mais felizes. “Só o amor, muda o que já se fez, a força da paz junta todos outra vez, venha já é hora de acender a chama da vida, e fazer a terra inteira Feliz” música-  A PAZ. Com esse trecho dessa canção cantada nesta ação, concluímos assim que é exatamente isso que todos nós precisamos, acender a chama da vida e sermos felizes uns com os outros para podermos então, atingirmos a saúde do corpo e da mente, na esperança de dias melhores.  

8195 VOCÊ CONTA OU EU CONTO? TECNOLOGIA CUIDATIVO-EDUCACIONAL PARA AVALIAÇÃO COGNITIVA DO IDOSO
Francisco Willian Melo de Sousa, Hiara Rose Moreno Amaral, Benedita Shirley Carlos Rosa, Natasha Vasconcelos Sobrinho, Carlos Eduardo da Silva Lima, Andréa Carvalho Araújo Moreira

VOCÊ CONTA OU EU CONTO? TECNOLOGIA CUIDATIVO-EDUCACIONAL PARA AVALIAÇÃO COGNITIVA DO IDOSO

Autores: Francisco Willian Melo de Sousa, Hiara Rose Moreno Amaral, Benedita Shirley Carlos Rosa, Natasha Vasconcelos Sobrinho, Carlos Eduardo da Silva Lima, Andréa Carvalho Araújo Moreira

Apresentação: A contação de história por idosos é uma prática social existente desde a antiguidade, quando o idoso era valorizado e respeitado por suas experiências de vida, sendo, os principais contadores de suas próprias histórias que favorece o aprendizado e troca de ensinamentos para os mais jovens. Assim, a prática de contação de histórias, além de auxiliar na disseminação de conhecimentos, proporciona o resgate de memórias, em que o indivíduo revive e ressignifica suas experiências de vida, proporcionando autonomia e resgate da autoestima. Objetivo: Relatar sobre a experiência da aplicação da tecnologia cuidativo-educacional “contação de histórias” como estratégia de avaliação cognitiva. Método: Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, com abordagem qualitativa desenvolvido por acadêmicos de Enfermagem de uma universidade pública do interior do Ceará, a partir de ações extensionistas do módulo Práticas Interdisciplinares em Ensino, Pesquisa e Extensão III, componente da grade curricular do referido curso, realizadas em um grupo de idosos de uma Unidade Básica de Saúde, localizada em Sobral, Ceará. Para coleta de dados utilizou-se o diário de bordo e observação. Para análise o embasamento teórico das áreas de geriatria, gerontologia e saúde coletiva, bem como o pensamento crítico-reflexivo. Resultado: Foram realizadas seis ações de cunho educativo, preventivo e de promoção à saúde com o grupo de idosos, e dentre estas, trabalhou-se a avaliação cognitiva, ou seja, a memória e criatividade, por meio da contação da história. Para realização da intervenção elaborou-se o conto: casa de vó: memória da minha infância, de autoria dos acadêmicos, como uma estratégia de instigar no público alvo à atenção na leitura, participação e a memória por meio das recordações do lugar onde nasceu, da infância e da vida. Além disso, como tecnologia educacional, foi estimulado aos idosos a produção de desenhos com intuito de fomentar a criatividade, e a partir disso construir um varal da memória. Os idosos mostraram-se colaborativos nas falas, bem como nos registros. Este momento de troca de saberes proporcionou compreender o modo de vida, as relações e construções de papéis dos sujeitos. Nessa perspectiva a tecnologia favoreceu para uma maior integração grupal, fortalecendo as relações sociais existente e ampliando a capacidade de reconhecimento e valorização da história de vida dos idosos. Considerações finais: Diante do exposto, a prática de contação de histórias colabora para o desenvolvimento do intelecto, auxilia no resgate de memórias e no desenvolvimento de autonomia e autoconhecimento, proporcionando bem-estar físico e emocional, assim como, reduz a ociosidade e a presença de sentimentos depressivos, temerosos e angustiantes no idoso.

8708 ESTRATÉGIAS PSICOEDUCATIVAS PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE
Thereza Cristina Bastos

ESTRATÉGIAS PSICOEDUCATIVAS PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE

Autores: Thereza Cristina Bastos

Apresentação: Este trabalho se propõe a apresentar um Relato de Experiência na área da Psicologia, acerca das atividades realizadas em grupo psicoeducativo, para adultos na meia idade e idosos vinculados a uma Unidade de Saúde da Família da Região do Vale do Jiquiriçá - Estado da Bahia, numa ação de trabalho em parceria com uma Universidade Pública dessa região. As atividades giraram em torno da História de Vida. Durante os relatos apareceram canções que marcaram época, experiências de dar e receber feedback, numa realimentação sobre conteúdos ditos, vidas acrescidas a partir das observações interpretativas dadas pelos outros componentes do grupo que, compartilharam a escuta das narrativas. Essas pessoas foram estimuladas a dar retornos positivos que pudessem ser esclarecedores, alentadores, oportunizando também a aceitação em escutar e expressar opiniões opostas, reduzindo momentos de agressividade e/ou tensões. As atividades foram planejadas antes da execução através de estudo de caso com a equipe multiprofissional da USF e também com profissionais da Universidade. Ainda foi possível no próprio contexto, ocorrerem mudanças no direcionamento das técnicas de grupo a fim de que fossem atendidas as demandas que emergiram do próprio grupo durante a realização dos encontros. O esforço do trabalho foi coletivo, o que possibilitou a apreensão das significações que cada pessoa dava às suas experiências ao compartilhar com o grupo. Pudemos desenvolver dinâmicas voltadas para revisão de vida, oportunidade em que, os participantes puderam narrar as suas histórias compartilhando, atualizando experiências que ficaram marcadas em suas trajetórias. Muitas dessas experiências foram contadas, entrecortadas por choros, risos, lamentos e expressões de gratidão à vida por ter permitido fazer-se amiga e bela companheira. Quando as palavras faltavam no discurso, preservava-se o silêncio como espaço de acolhimento. Portanto, desde o primeiro encontro aqueles "seniores" evidenciaram uma clareza e compreensão sobre a necessidade e compromisso de que, todo o processo primasse pela ética e pela valorização de suas experiências. O grupo era formado por 10 pessoas, sendo uma do sexo masculino e 09 do sexo feminino. Essas pessoas estavam na faixa etária entre 41 e 70 anos. O nível de escolarização era heterogêneo. Quanto a inserção profissional, a maioria estava inserida no mundo do trabalho.  Esses componentes do grupo faziam juntos, caminhadas e outras atividades físicas, artísticas e sócio culturais, ao longo da semana. Eram acompanhados também por uma equipe multidisciplinar composta por profissionais das áreas de Nutrição, Enfermagem e Educação Física. As intervenções psicossociais com o grupo evidenciaram que é possível envelhecer bem. Isso não significa ausência de limitações, mas sim, há a possibilidade de novas potencialidades compensatórias e adaptativas que surgem como competências para a resolução de desafios que a vida propõe. O objetivo das intervenções psicossociais foi, portanto, analisar as demandas que eram endereçadas ao grupo, pelos próprios componentes, que compartilhavam das impressões, melhor dizendo: os efeitos sobre o grupo das narrativas que ouviam, bem como, o modo próprio como interpretavam os conteúdos subjetivos que estavam tendo acesso e como ofereciam o retorno ao sujeito que havia exposto a sua experiência. A minha compreensão em relação ao trabalho de grupo se sustenta no entendimento de que esses espaços destinados ao compartilhamento de emoções, sentimentos e crenças entre os pares adultos, idosos se constitui em estratégias de promoção da saúde. Considerando que as comunicações interpessoais têm muito mais peso sobre os comportamentos do que a simples transmissão de informações, que servem apenas como primeiro passo em direção à sensibilização para um possível problema. A confiança que cada componente do grupo depositava nos seus pares, foi fundamental para o estabelecimento do vínculo e sentimento de pertencimento ao Grupo, pois ali, era possível serem abordados conteúdos fortes que ainda estavam em processo de elaboração. De modo geral, esse trabalho se destinou a utilização do diálogo e da comunicação de maneira mais ampla. Como suporte, para a construção de experiências grupais que promoveram trocas sociais, apoio emocional, estímulo das capacidades cognitivas dentre outras aquisições que estimularam a vivência subjetiva em contexto interativo saudável. Situações de luto, em decorrência de perdas significativas ocorridas ao longo da vida, foram relatadas com expressões emocionais de raiva, angústia, saudade e aceitação. É importante ressaltar que ao longo dos dez encontros, os componentes puderam traçar sua Linha do Tempo, re-significando as experiências, o que ajudou nas conversas, nos diálogos. As funções cognitivas: memória, atenção, linguagem, as funções executivas, as emoções foram trabalhadas. Diversos conteúdos artísticos foram trabalhados com livre expressão e significados dados tanto individualmente, quanto coletivamente como experiências significativas que fizeram parte da construção da própria vida, de acordo com o histórico de convivências que puderam estabelecer. Os efeitos decorrentes das intervenções psicossociais puderam ser notados a partir do feedback recebido tanto dos participantes do grupo que verbalizaram o sentir-se melhor quando podiam falar livremente sobre questões que implicavam sofrimento psíquico, quanto relatar fatos que provocavam alegria e orgulho frente a vida que levavam. Também os profissionais da equipe, deram retorno positivo, ao afirmarem haver constatado que as pessoas que compunham o grupo psicoeducativo, demonstraram maior adesão às atividades propostas, mantendo uma frequência mais regular durante todo o período. Vale ressaltar que a proposta da composição do grupo psicoeducativo surgiu a partir da constatação da equipe multiprofissional que conduz o programa voltado para os cuidados com usuários idosos da unidade de saúde, que estavam vivenciando período de luto, dificuldade de adesão ao programa e/ou apresentavam doenças crônicas como diabetes e hipertensão. O oferecimento durante os encontros, de uma escuta atenta favoreceu que os participantes sentissem confiantes em expressarem livremente os pontos de vistas, sem temer julgamento ou represálias e ficassem motivados em contar as suas vivências como histórias que interessavam ao grupo. Nessa ambiência, sentiram-se estimulados em levarem fotografias de entes queridos, de lugares por onde passaram, objetos antigos, guardados e que foram mostrados por terem valores afetivos, recitarem poesias, cantarem músicas, dançarem. O ambiente, assim constituído, permitiu que participantes fossem encorajados a se expor confiantemente, bem como dar e receber feedback sobre os significados atribuídos às experiências, o que fortaleceu também o treinamento de habilidades sociais. O processo de auto-revelação foi simétrico, pois cada participante pôde se auto revelar aproximadamente, no mesmo ritmo. Desse modo, podendo ser construída uma relação equitativa e de reciprocidade. Quando da composição do grupo psicoeducativo foi definido um total de dez encontros, como atividade experimental. No último encontro, os participantes pediram que houvesse a manutenção de espaços como aquele pois, além de cuidarem do corpo através da realização das atividades físicas, controle da pressão arterial, da diabetes, e participação em atividades culturais previstas anteriormente no programa ao qual estavam vinculados, gostariam também de cuidar das emoções e dos sentimentos num clima de confiança e amizade que o grupo havia conquistado. Expressaram os seus desejos desenhando, escrevendo e lendo os textos que produziram.

8740 A DANÇA COMO PRÁTICA DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL EM USUÁRIOS DA UBS- 17 EM PLANALTINA (DF)
Pedro Henrique Santos Vitoriano, Renata Musa Lacerda, Yo Hwa Farias Da Cunha, Jessica Quirino Medeiros, Thaylline Kellen da Silva Araújo, Ana Carolina Xavier Steves

A DANÇA COMO PRÁTICA DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL EM USUÁRIOS DA UBS- 17 EM PLANALTINA (DF)

Autores: Pedro Henrique Santos Vitoriano, Renata Musa Lacerda, Yo Hwa Farias Da Cunha, Jessica Quirino Medeiros, Thaylline Kellen da Silva Araújo, Ana Carolina Xavier Steves

Apresentação: As doenças de saúde mental são um dos maiores problemas de saúde pública do mundo devido a sua alta taxa de adoecimento e mortalidade. Alguns sintomas podem ser identificados numa pessoa deprimida como a culpabilização, ideação suicida, perda de apetite, mudança de estado de humor e isolamento. É importante estar atento aos sinais pois na maioria dos casos o usuário vive em sofrimento e em perfeita discrição a ponto de não ser perceptível. A Dança usada como atividade física melhora a disposição do indivíduo e promove bem-estar. Estudos comprovam que alguns elementos artísticos que estimulam a criatividade têm sido apontados como possíveis intervenções em contextos psiquiátricos ou terapêuticos. Pois as formas como os movimentos acontecem, seja de improviso ou não, despertam emoções internas, buscando um meio de comunicação entre o corpo e a mente. A UBS – 17 que fica localizada no Núcleo rural do Jardins do Morumbi em Planaltina DF, possui alguns usuários em situações de sofrimento que fazem tratamento medicamentoso, e por esse motivo participam da terapia comunitária conduzida pelo médico que acontece uma vez por semana. Diante disso, a equipe de residentes em saúde da família com ênfase na saúde da população do campo da FIOCRUZ – Brasília, que estão locados nesta mesma unidade, pensaram em desenvolver um momento de dança como uma outra alternativa para complementar ao tratamento.  Surgiu então o grupo “Agita Morumbi”, o encontro era realizado nas sextas-feiras sempre nas três últimas semanas do mês e aberta ao público. No início de cada atividade todos os participantes eram convidados a realizar uma série de exercícios de alongamento guiados pela fisioterapeuta residente, e o dentista residente era responsável por conduzir a dança. As músicas foram selecionadas para vários ritmos, desde o forró ao funk, e as coreografias eram improvisadas pelo condutor com movimentos fáceis de serem executados. O momento promovia descontração e os participantes relataram melhoria nos sintomas com a atividade. A medida que o grupo crescia, novas práticas eram aplicadas como a automassagem e brincadeiras dinâmicas no intuito de incentiva-los ao novo. Por fim, é importante usar a dança como alternativa de promoção a saúde devido a sua fácil aplicação, podendo ser reproduzida em qualquer lugar e por qualquer pessoa. Em uma análise do processo e poder fazer a diferença na vida das pessoas é gratificante porque é nítido o resultado, e que também sirva de exemplo para outras unidades básicas de saúde replicarem. O SUS assume esse papel de universalizar e é nesse caminho de prevenção que consequentemente muda a vida dos usuários.

9010 SUSTENIDOS: EXISTÊNCIAS, MUNDOS E CORPOS SONOROS NO SUS
CARLA CRISTINA DIAS INDALÉCIO, ALEXANDRE DE OLIVEIRA HENZ

SUSTENIDOS: EXISTÊNCIAS, MUNDOS E CORPOS SONOROS NO SUS

Autores: CARLA CRISTINA DIAS INDALÉCIO, ALEXANDRE DE OLIVEIRA HENZ

Apresentação: Considerando que os espaços de produção de saúde são atravessados por mundos e sonoridades em múltiplas camadas sensíveis, gradientes operando aberturas, fechamentos, arranjos que produzem territorializações e desterritorializações, esta pesquisa acompanha, a partir da perspectiva cartográfica, musicalidades que se produzem nos modos de existir que se dão nos mundos de produção de saúde. Na experiência de tocar e cantar junto, mas também ao experimentar outras musicalidades espraiadas nos grupos e coletivos, percebi corpos sonoros, algo que frequentemente escapa - interfere continuamente, é frequentemente naturalizado – e que fica suspenso, pede passagem. Trata-se de uma cartografia implicada com a produção de narrativas verossímeis, escritas de mundos sonoros que atravessam itinerâncias entre algumas unidades de saúde do Município de Santos. Em uma delas – uma Seção de Fisioterapia - atuo como parte da chefia administrativa em situações que envolvem recepção, reuniões de equipe e interações com rodas de música; nas outras (que abrangem Prontos Socorros, Unidades Básicas de Saúde, entre outras) sou demandada para encontros musicais com violão e voz. Essas itinerâncias ocorrem no campo dos encontros que emergem nos aqui-e-agora, em que questões e problemas disparam e se impõem constantemente, atravessados por piscinas de silêncio, semitons entre bons e maus encontros, musicas-ruídos-protestos, questionamento vital por assim dizer surdo-mudo, inconsciente, que oscila entre bem-estar e mal-estar. Todo um jogo infra, sub, nas moléculas sonoras em ambientes de recepção, negociações de fila, lista de espera com elogio liberador, choro de reação à morte em vida, gritos que teimam em viver, reclamações melancólicas; em reuniões de equipe, méritos, metas, empreendedorismo público e resultados são certos sons, falas, silêncios e olhares que enunciam notas sutis de adoecimento, chiados de báscula entre potência-impotência, trinados-felicidade-esperança-acomodação; nas rodas de música, outras notas além das emitidas pela voz e pelo violão criam episódicas e reversíveis instalações do comum. Mundos, acasos, sustenidos, ritornelos que atravessam vidas. A pesquisa tem como objetivo perscrutar mundos através de narrativas-experiências nessas ambiências, expressando paisagens sonoras; moléculas sonoras díspares, disseminadas em gestos e mundos, às vezes, indiferentes aos controles. Trata-se de sondar as partituras fixas que já existem nas ações em saúde, também as variações, semi-tons, entre’expressões. Que contrapontismo existe entre os mundos de um recepcionista que enredam usuários, profissionais e gestores? Quais os acordes e acordos possíveis? Que situações evocam sustenidos, acidentes, desterritorialização, ritornelos? São essas algumas questões que essa investigação explora. Ao considerar que a vida é musical, que não há movimento sem certo ritmo e que os espaços-tempo de saúde são contágios, escrever com as dinâmicas musicais dos encontros é possibilitar a preensão de polifonias, o acesso a mundos e dissonâncias que emergem nos espaços de saúde, uma obra aberta.

9263 ACOLHIMENTO DA POPULAÇÃO MASCULINA SOB A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM: DESCONSTRUÇÃO DA INVISIBILIDADE
Fabiana Cristina Silva da Rocha

ACOLHIMENTO DA POPULAÇÃO MASCULINA SOB A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM: DESCONSTRUÇÃO DA INVISIBILIDADE

Autores: Fabiana Cristina Silva da Rocha

Apresentação: O acolhimento é uma diretriz da Política Nacional de Humanização (PNH), que não tem local nem hora certa para acontecer, nem um profissional específico para realizá-lo e faz parte de todos os encontros no serviço de saúde. É visível a dificuldade de se expressar da população masculina quanto a sua saúde, portanto o acolhimento a essa população deve compreender questões com enfoque no gênero, considerando as representações sociais de masculinidade em nossa sociedade. Compreendendo, ainda, que cada indivíduo tem uma perspectiva individual sobre essas questões, baseada em sua própria realidade e na realidade em que atua. Por outro lado, essa situação nos remete a questões culturais, pelas quais o homem não tem hábito de se cuidar, por isso a sua presença em serviços de saúde é pouco visível, até os dias atuais. O comportamento vulnerável do homem está ligado ao fato de o mesmo se perceber imune e invulnerável acerca da maioria das situações. Isso se inicia na infância, na qual o mesmo é ensinado a não demonstrar fraquezas e ter um comportamento contrário ao feminino, levando, muitas vezes, a tomadas de decisões impulsivas e impensadas, que podem levar à exposição a doenças e até mesmo ao risco de morte. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2016, a mortalidade masculina estava concentrada no grupo com faixa etária entre 15 e 29 anos, destacando-se que um homem adulto entre 20 e 24 anos tinha 4,5 vezes menos chances de não completar o próximo ano de vida quando comparado a mulheres da mesma faixa etária. É de extrema importância que o homem seja visualizado por completo, de forma singular, observando suas particularidades, especificidades, anseios e necessidades. Essa visão holística, inicialmente, deve ser realizada através dos profissionais da Estratégia de Saúde da Família, a partir do acolhimento. Objetivo:Compreender a percepção dos profissionais de enfermagem sobre o acolhimento da população masculina na estratégia de saúde da família e, como objetivos específicos, descrever a percepção dos profissionais de enfermagem sobre o acolhimento à população masculina na Estratégia de Saúde da Família; identificar as estratégias de acolhimento à população masculina adotadas na Estratégia de Saúde da Família e discutir o impacto do acolhimento da população masculina, com enfoque na saúde, na Estratégia de Saúde da Família. Método/ Desenvolvimento: Descritivo e abordagem qualitativa, com 17 profissionais de enfermagem (entre eles nove enfermeiros e oito técnicos de enfermagem), que desenvolvem atividades em uma unidade de saúde tipo b, ou seja, Centro Municipal de Saúde (CMS) e Clínica da Família (CF) – Estratégia de Saúde da Família (ESF) no município do Rio de Janeiro. Aspectos éticos e as determinações contidas na Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, foram respeitados, com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa: 06243319.2.0000.5282. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados a entrevista semiestruturada e, para análise dos dados, foi aplicada a técnica de análise de conteúdo. Resultado: Evidenciam a (não) compreensão sobre o acolhimento ao homem pelos profissionais de enfermagem, demonstrando fragilidade em lidar com a população masculina. O vínculo é um dos princípios norteadores do trabalho na atenção básica, com a construção de relações de afetividade e confiança entre o usuário e o profissional. A análise apontou que essa dificuldade está relacionada à ausência do homem na unidade básica e à dificuldade do profissional em lidar com a perspectiva relacional de gênero masculino. Tal situação traduz-se na invisibilidade dessa população na unidade básica de saúde, que também pode estar associada ao déficit na capacitação dos profissionais em saúde do homem e de conhecimento sobre a política nacional de atenção integral à saúde do homem. Percebe-se que os profissionais de enfermagem, na estratégia de saúde da família, permanecem com olhar indiferente para a população masculina, sendo necessária a compreensão de integralidade em saúde e dos homens sob a perspectiva relacional do gênero, da vulnerabilidade masculina, entre outras questões, para que o acolhimento atenda às necessidades dessa população. Quando o acolhimento envolve a população masculina, percebe-se que existe uma dificuldade em adotar a perspectiva de gênero, ou seja, compreender o acolhimento no contexto da saúde do homem. Há muitos avanços a serem alcançados para, efetivamente, a referida política seja implementada no cotidiano dos profissionais da Atenção Básica, porta de entrada do usuário. Faz-se necessária a compreensão da integralidade em saúde dos homens na perspectiva relacional de gênero, da vulnerabilidade masculina, entre outras questões, para que o acolhimento atenda às necessidades dessa população. Acolhimento é a integralidade do atendimento, gestão do cuidado, ser a porta de entrada desses homens para os serviços de saúde, desfazer estigmas, atentar, compreender o que ele busca e ofertar o que temos disponíveis para coordenar esse cuidado com pacientes que são tão vulneráveis quanto os “o grupo de risco”. É nítido o despreparo do profissional, quando relata não saber o que fazer com a população masculina. Como se não soubesse ofertar serviços, planejamento familiar, atividades recreativas e de lazer, realizar consulta de enfermagem, perguntar aos homens quais são suas dúvidas, necessidades, o que levou até ao serviço de saúde e oportunizar o atendimento para que o homem se sinta satisfeito pelo acolhimento e, a partir daí, retorne, constatando a criação do vínculo. As falas deixam clara a invisibilidade do homem para o profissional de enfermagem, sendo percebida através das dificuldades em compreender a população masculina. Esse fato leva ao distanciamento no acolhimento, como também na identificação das suas necessidades. Considerações finais: A área de saúde muito tem a fazer em relação à saúde do homem. Buscou-se desenvolver uma pesquisa que pudesse contribuir com a saúde do homem ao trazer a percepção sobre o acolhimento à população masculina por profissionais de enfermagem na estratégia de saúde da família. A (não) compreensão sobre o acolhimento ao homem pelos profissionais de enfermagem fica evidente, pois dizem  compreender o que é acolhimento, porém trazem o acolher como ouvir e conversar com o cliente. O acolhimento é um instrumento potente para o vínculo e a aproximação da população masculina e para promoção da atenção intregal à saúde. No acolhimento, pode-se, efetivamente, promover a integralidade, equidade, tendo a resolutividade como essencial no trato com a população masculina. Quando se procura atendimento/informações, deseja-se muito mais que ser ouvido, e sim uma compreensão e uma visão holística do ser, fundamentada em suas necessidades. Existem, ainda, lacunas que devem ser melhor exploradas, como as questões sobre gestão, serviços e ações de saúde destinadas à população masculina na Unidade Básica de Saúde, a sensibilização, o preparo e conhecimento do profissional de enfermagem envolvendo a perspectiva de gênero. Palavras-chave: Saúde do Homem. Acolhimento. Estratégia de Saúde da Família. Enfermagem.

9911 UTILIZAÇÃO DA MÚSICA COMO TERAPÊUTICA EM SAÚDE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA COM PERCUSSIONISTAS
Nágela Aglaídes Calixto de Souza, Ingryd Bezerra Almeida, Gabriela Nogueira Castilho, Sarah Campos dos Santos, Talizie de Sousa Salgado, Thaynara Silva Sucupira, Firmina Hermelinda Saldanha Albuquerque, Karla Maria Carneiro Rolim

UTILIZAÇÃO DA MÚSICA COMO TERAPÊUTICA EM SAÚDE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA COM PERCUSSIONISTAS

Autores: Nágela Aglaídes Calixto de Souza, Ingryd Bezerra Almeida, Gabriela Nogueira Castilho, Sarah Campos dos Santos, Talizie de Sousa Salgado, Thaynara Silva Sucupira, Firmina Hermelinda Saldanha Albuquerque, Karla Maria Carneiro Rolim

Apresentação: A musicoterapia é a união do uso da música e instrumentos musicais na melhora da qualidade de vida tanto no contexto social como clínico, com promoção do bem-estar do indivíduo e no tratamento de problemas de saúde, além de ser uma ferramenta alternativa, atuando de forma complementar ao tratamento farmacológico e uma prática baseada em evidências científicas. A musicoterapia através da música e de outros recursos sonoros busca estimular e despertar sensações, emoções, sentimentos e reações, sem restrição de idade, aumenta a endorfina e pode ser coadjuvante de outras técnicas. É indicada para pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Esquizofrenia, Problemas emocionais, energia dinâmica psíquica e coadjuvante de outras técnicas terapêuticas e contra indicada para pacientes com Epilepsia. O grupo de percussionistas foi fundado em 2010, através de uma equipe multiprofissional,  utilizam a música e a arte no processo de ressocialização dos pacientes dependentes químicos. Assim, produzindo um diferencial nas práticas tradicionais, onde os pacientes exploram vários instrumentos, despertando estímulos. Além de ser uma prática que pode ser realizada em vários locais, como em uma sala de espera, em um consultório, em praças, entre outros locais. Para a comunidade de Fortaleza-Ceará existem apenas seis locais que podemos encontrar a musicoterapia disponíveis para a população geral.  Objetivo: Relatar a experiência vivenciada pelos acadêmicos de enfermagem na disciplina de saúde mental da Universidade de Fortaleza com o grupo de percussão. Desenvolvimento: Trata-se de um relato de experiência, realizado em Fortaleza-Ceará, no período de junho de 2019, durante o estágio da disciplina de saúde mental, com observação direta aos usuários participantes. As atividades ocorriam uma vez por semana, em dia e horário fixo, sendo o grupo aberto e heterogêneo. As atividades eram realizadas em um local previamente organizado, onde eram acolhidos e sentavam-se em círculo. Inicialmente apresentavam-se as regras do grupo e brevemente questionava-se sobre como passaram a semana e como se sentiam naquele momento, em seguida uma música central era reproduzida e cantada pelos membros. As músicas abordavam temas como:, paciência, tolerância, auto-estima sofrimento, dentre outros, sendo discutidas após a leitura de cada estrofe. A duração do grupo era de aproximadamente 60 minutos. Resultado: A experiência mostrou que o grupo permite aos usuários, a partir das reflexões em torno das melodias, exporem suas vivências e opiniões relacionadas a diversos temas suscitados nos encontros a partir das músicas, bem como a ampliação de novas possibilidades de reflexão crítica acerca de seus posicionamentos diante da vida. Este recurso tanto resgata autoestima e autonomia dos pacientes, como também instaura benefícios para os mesmos, como: redução da ansiedade, momentos de felicidade, emoções positivas, e mais vontade de viver. Na medida em que for direcionado um olhar para o desenvolvimento de novas práticas, a enfermagem estará fazendo humanização e prestando uma assistência de melhor qualidade. Considerações finais: Participar e executar as atividades no grupo possibilitou agregar teoria e prática de forma a aprimorar nossos conhecimentos a partir de uma alternativa terapêutica que busca a humanização da atenção em saúde preconizada pelas Políticas de Saúde Mental.

9914 A ARTE-TERAPIA COMO AÇÃO TERAPÊUTICA EM CRIANÇAS COM TDAH – TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO COM INSERÇÃO EM HIPERCINÉTICA
DEBORAH OLENKA TRAVASSOS, ERIKA PORTELA DE LIMA SILVA, IGOR DE OLIVEIRA REIS, GEOVANA FABA DA SILVA, KETHLEEN LIMA RAMOS, LAURA ALMEIDA MATOS, KAMILLE LIMA ANTONY

A ARTE-TERAPIA COMO AÇÃO TERAPÊUTICA EM CRIANÇAS COM TDAH – TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO COM INSERÇÃO EM HIPERCINÉTICA

Autores: DEBORAH OLENKA TRAVASSOS, ERIKA PORTELA DE LIMA SILVA, IGOR DE OLIVEIRA REIS, GEOVANA FABA DA SILVA, KETHLEEN LIMA RAMOS, LAURA ALMEIDA MATOS, KAMILLE LIMA ANTONY

Apresentação: A TDAH é uma conduta que abrange um leque de condições que podem passar despercebidas em uma criança, contudo, é importante salientar a importância de se perceber, diagnosticar e tratar esse transtorno. Inserida neste leque, encontra-se a Hipercinética, que é a TDAH associada à hiperatividade. A arte-terapia é uma ação que tem finalidade de estímulo, foco, e trabalho que entretém uma criança em desenvolvimento. Programar o campo artístico como meio de recreação e tratamento não é apenas a arte em si, é a estruturação e atividade criadora que ela proporcionará, estimulando psicologicamente um portador de Hipercinética. Objetivo: Informar e mostrar a arte, cultura e saúde como uma tríade utilitária para terapêutica do dito transtorno, por assim terem um padrão duradouro de sintomas, como por exemplo, a desatenção exacerbada, impulsividade e hiperatividade. Desenvolvimento: Em Manaus, junto a um instituto com ênfase em recreação de atividades infanto-juvenis, nos hospitais situados na capital, foi possível a participação em uma ação de arte-terapia e arte-cultura com crianças portadoras de TDAH. Focando em atividades de pintura, teatro de fantoches, brincadeiras “pique”, música e danças aplicadas em dias de consulta a fim de trazer um conforto, onde os voluntários estiveram em contato direto junto às crianças com a intenção de ajudar na promoção de estímulo e foco provendo resultados promissores. Em tais ações trabalhou-se a expressão artística com a consciência psicológica.  Resultado: Percebeu-se que, a sistemática desenvolvida foi eficaz junto ao diagnóstico e intervenção. Tornou-se possível também, observar a existência de uma pressão social em portadores de TDAH com faixa etária entre 8 (oito) e 11 (onze) anos. Contudo, a partir do momento da inserção da terapia, foi notória a quebra da introspectividade, a euforia e demonstração de compreensão por parte das crianças portadoras, explicitando uma melhora evidente. Considerações finais: As dinâmicas desenvolvidas tornaram clara a importância da tríade, como método terapêutico e de acompanhamento, quanto ao quadro clínico de crianças portadoras dessa condição. O meio de socialização através da arte-terapia e arte-cultura trouxe uma comunicação interpessoal assídua, facilitando também o relacionamento entre parentescos devido à falta de informação e compreensão quanto ao diagnóstico. Além de que, a aproximação ao cenário infantil agrega uma facilidade em comunicar-se, permitindo que a criança se sinta confortável e bem-vinda, destacando que o estado mental é um ponto chave para a terapêutica igualmente ao social. O trabalho psicossocial deve ser atribuído também como abrangente, ressaltando a suma importância de fazer parte do tratamento recreativo. A experiência neste campo destacou a magnitude de um trabalho medicinal voltado à tríade arte, cultura e saúde. 

10079 LITERATURA e ARQUITECTURA: (RE) PARE
Ana Mallet, Brendha Leandro, Adriana Sansão, Lucia Azevedo, Cristiane Villela, Helena Toledo, Andrea Borges, Gabriela Granieri

LITERATURA e ARQUITECTURA: (RE) PARE

Autores: Ana Mallet, Brendha Leandro, Adriana Sansão, Lucia Azevedo, Cristiane Villela, Helena Toledo, Andrea Borges, Gabriela Granieri

Apresentação: Arte pelo hospital.Apresentação: Uma parceria entre as Faculdades de Medicina e de Arquitectura da Universidade Federal de Río de Janeiro deu lugar ao projeto (RE)PARE com o objetivo de ocupar algumas áreas do hospital com manifestações artísticas. Elegemos 4 andares da escada para iniciarmos o projeto. O projeto (RE)PARE busca despertar a sensibilidade e o compromisso pessoal na humanização da atenção. Desenvolvimento: Após a leitura do livro "Ensaio sobre a ceguiera" de José Saramago pelos alunos de Medicina, foram eleitas em parceria com a equipe da Faculdade de Arquitetura, frases curtas que foram pintadas artisticamente (com perspectiva de forma que a pessoa precisava se colooar em uma determinada posição - ponto de fuga - para conseguir lê-las) nas escadas do hospital universitario. As frases foram colocadas também en Braile. As frases eleitas foram:"o difícil não é conviver com as pessos, é compreendê-las", "Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos", “Se eu voltar a ter olhos, olharei verdadeiramente os olhos dos outros, como se estivesse a ver-lhes a alma"Resultado: houve algum estranhamento inicial pelo inusitado da proposta mas a maioria do feed back recebido foi bastante animador como apresentado a seguir:“Vejam este belíssimo trabalho de intervenção no HUCFF (o do Fundão). Frases retiradas do ‘Ensaio sobre a cegueira’, do Saramago, pintadas nas escadas do hospital.”"Que maravilha ver algo novo e tão belo posto nas paredes do MEU hospital que tanto amo! Parabéns aos professores de todas as instituições que participam do projeto!”"Projeto sensacional, cativante quanto ao seu sentido essencial e quanto à forma bela e original! De enorme valor pelo espaço onde se dá e alcance que terá! Parabéns! Um alento nestes tempos de cegueira sem poesia.”No dia 24 de dezembro, uma foto de uma das frases nas escadas saiu no jornal "O Globo" na coluna Alcelmo Gois. Considerações finais: Esperamos com intervenções como essa e com intervenções futuras sensibilizar o observador  para entender o texto, assim como para entender as pessoas. As condicções urgentes da vida diaria de um hospital podem fazer com que se percam detalhes importantes sobre as pessoas a quem assistimos. Não é suficiente ver, temos que reparar o outro. Esta é a primeira de várias iniciativas que levaremos buscando transformar o hospital em algo mais acolhedor e criativo para os profissionales de saúde  através da arte.

10638 PRÁTICAS CRIATIVAS E ARTÍSTICAS PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL COM PACIENTES DA ENFERMARIA CIRÚRGICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
MÓNICA MONTUANO MATTOS, MONIK NOWOTNY JUNIOR, RACHEL OLIVEIRA GOMES SILVA, MARTA SOUZA FERREIRA, JANE SILVA ANDRADE, SANDRA MARIA BEZERRA NASCIMENTO, RENATA SILVA SANTOS, JULIANA VANNUCCI SILVA

PRÁTICAS CRIATIVAS E ARTÍSTICAS PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL COM PACIENTES DA ENFERMARIA CIRÚRGICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: MÓNICA MONTUANO MATTOS, MONIK NOWOTNY JUNIOR, RACHEL OLIVEIRA GOMES SILVA, MARTA SOUZA FERREIRA, JANE SILVA ANDRADE, SANDRA MARIA BEZERRA NASCIMENTO, RENATA SILVA SANTOS, JULIANA VANNUCCI SILVA

Apresentação: Nosso relato de experiência com pacientes internadas em hospital de grande porte no município do Rio de Janeiro mostra que o processo criativo e artístico pode ser despertado nas pessoas por meio de técnica simples e materiais de valor acessível, podendo contribuir para promoção da saúde mental e bem estar de pacientes em longa permanência numa enfermaria cirúrgica ginecológica em hospital universitário. A sociopoética é uma abordagem e método de construção coletiva que ressalta a criatividade artística como caminho real para expressão do corpo velado, subconsciente ou inconsciente do qual ao ser despertado para si e para o mundo configura uma única singularidade do ser pensante, questionador, inovador e artístico que é. Nosso objetivo é relatar a vivência do cuidar-se através da arte do fuxico, crochê, tricô, amigurumi, e almofadas com pérolas, com pacientes mulheres que fizeram cirurgias de histerectomia e mastectomia internadas de longa data na enfermaria. O termo “fuxico” em português é sinônimo de “fofoca” [cochicho] e, com isso nos reunimos em roda onde conversamos, escutamos e damos oportunidade do outro falar, interagir e socializar angústias, medos onde buscamos promover saúde mental e bem estar. Em curto espaço de tempo é possível construir um trabalho coletivo de efeito estético, o que promove um grande bem estar nas pessoas e em todos que estão entorno das nossas atividades, ajudando a ativar processos de criação. Após elaboração e expressão do grupo, os mesmos contemplaram desacreditados no resultado estético, da sua produção. Durante a realização da atividade alguns relatos surgiram comoventes, com lágrimas nos rostos e sorrisos encantadores, despertando sentido de continuidade da missão. O trabalho de fuxicar e ou fazer outra técnica que fosse de interesse em aprender, levou o grupo a retomar vivencias familiares significativas de criação, acolhimento e afeto, levando-os a sentir vontade de estarem com seus familiares, antepassados e amigos. Rimos muito e nos vimos contando histórias maravilhosas e relembrando tempos remotos. Através da experiência, foi possível constatar que a experimentação estética por meio da realização de fuxicos, crochê, tricô e almofadas com pérolas, conseguiu despertar nas pacientes a importância e o valor do trabalho manual, assim como desenvolver a criatividade, o raciocínio, a sensibilidade, a iniciativa, a autoestima, esperança de dias melhores e possivelmente práticas de fuxicar e costurar quando receber alta hospitalar.  

11348 TITULO: PROGRAMA DE LEITURA EM UMA UBS NO MUNICIPIO DE FOZ DO IGUAÇU - PR
LETICIA Miller MARTINS

TITULO: PROGRAMA DE LEITURA EM UMA UBS NO MUNICIPIO DE FOZ DO IGUAÇU - PR

Autores: LETICIA Miller MARTINS

Apresentação: Partindo da premissa  que o hábito de leitura também é benéfico para a saúde, elaborou-se um projeto voltado aos usuários de uma UBS no município de Foz do Iguaçu, Pr.  A ideia do projeto surgiu após a observação dos pacientes que frequentavam a UBS em um bairro de Foz do Iguaçu. Desenvolvimento: Percebeu-se que os pacientes e acompanhantes, durante o período de espera permaneciam por um espaço de tempo, muitas vezes conversavam entre si ou com outros que se encontravam esperando para serem atendidos sobre doenças, sobre suas doenças, mazelas, sofrimentos etc. Esse período de tempo de espera pareceu  gerador de inquietações, gerador de tensões e angústias, que podem resultar em situações de estresse. Isso observado resultou na pergunta: Como minimizar a “espera”? O que fazer para tornar o período de espera mais agradável para os usuários? A partir dessas reflexões elaborou-se o Projeto de Leitura com as seguintes etapas: a) A apresentação do Projeto a Diretora de Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu;  b) Implantação do Projeto em uma UBS;  c)Implantação dos Cestos de Leitura na UBS;  d)Avaliação visando solucionar dificuldades. Considerações finais: E Resultado: A partir da proposta pretende-se  minimizar os problemas da espera em contexto de cuidados de saúde, aliando o acesso a leitura da população usuária da UBS, visando  contribuir com o social, cultural dos sujeitos  usuários da UBS, tornando-os  mais saudáveis e  cidadãos  mais participantes.

11766 O USO DE OFICINAS DE ARTE NAS PRÁTICAS DE SAÚDE EM UM MÓDULO DO PROGRAMA MÉDICO DE FAMÍLIA DE NITERÓI
Patricia Ribeiro da Silva Maia Teixeira, Alba Valéria Souza Wandermur, Luiz Philipe de Castro Silva

O USO DE OFICINAS DE ARTE NAS PRÁTICAS DE SAÚDE EM UM MÓDULO DO PROGRAMA MÉDICO DE FAMÍLIA DE NITERÓI

Autores: Patricia Ribeiro da Silva Maia Teixeira, Alba Valéria Souza Wandermur, Luiz Philipe de Castro Silva

Apresentação: Este é um relato de experiência sobre o trabalho desenvolvido com um grupo de gestantes em um módulo do Programa Médico de Família de Niterói (RJ), de janeiro a junho de 2019. A ideia surgiu a partir das consultas de enfermagem, das vacinações e do processo de acolhimento da unidade. Observamos que os usuários chegavam com as carteiras de vacinação em má conservação, o que dificultava muito o trabalho da equipe. Porém, em uma dessas consultas uma mãe chegou ao módulo com a carteira de vacinação em ótimo estado e nela havia uma capa de material emborrachado (E.V. A.), confeccionada pela própria. Pensamos inicialmente em criar oficinas de “emborrachado” para melhorar a conservação das carteiras e diminuir a solicitação de 2ª via. Trouxemos a questão para a discussão com toda a equipe (ACS, técnica de enfermagem, enfermeira e médico) e várias considerações foram feitas. A arte oxigena o cérebro, reduz o estresse e atrasa a perda de memória. O exercício de qualquer processo criativo age no bem-estar, na cura e na melhoria da saúde. Permite que o indivíduo se conecte mais profundamente, encontre significado em experiências de vida, forme novas conexões, mude seu foco para longe de pensamentos estressantes, criando algo único que lhe dá prazer. Além disso, ainda significaria o aprendizado de uma fonte de renda extra para as participantes. Objetivo: Realizarmos grupos de trabalho com artesanato com as futuras mães da comunidade, trazendo a arte como ferramenta de saúde e cuidado, além do reforço à inclusão social apoiando uma atividade rentável. Método: realizamos visitas domiciliares para a busca de todas as gestantes cadastradas no módulo (24 primíparas de 15 a 18 anos e 39 multíparas de 19 a 30 anos) e as convidamos para uma reunião na unidade. Na data e hora marcadas todas compareceram. Propusemos a confecção da oficina de trabalhos manuais, explicando os benefícios da atividade e lançamos o desfio de que a experimentassem. Todas aceitaram. A equipe se propôs a fornecer os materiais necessários. Foram agendados encontros quinzenais com a equipe e disponibilizado o espaço para que o grupo se organizasse na semana intercalada, atuando elas mesmas como facilitadoras, a partir do aprendizado adquirido. Resultado: A adesão às oficinas foi total e ainda nos deparamos com mulheres não gestantes (5) da comunidade, já mães - idades entre 40 e 45 anos, que também se propuseram a participar e trocar conhecimentos e experiências de vida. Ao final, fizemos uma avaliação com o grupo e a equipe sobre as oficinas e obtivemos vários relatos sobre o impacto positivo produzido. Considerações finais: A realização dessas oficinas exigiu da equipe reflexão, dedicação e esforços para a execução das ações planejadas. Como pontos de dificuldade, apontamos o pouco tempo disponível nas agendas, a falta de espaço adequado e de recursos financeiros para obtenção do material utilizado. Essas atividades fizeram parte das estratégias voltadas para o estímulo à construção de projetos de vida, a invenção de outras formas de participação social, promoção de espaços de troca e cidadania, de uma forma mais ampla.

8734 INTERRELAÇÕES ENTRE FLEXIBILIDADE, ATIVIDADE FÍSICA E SEDENTARISMO: UMA INVESTIGAÇÃO COM ESTUDANTES DE ENSINO MÉDIO EM SANTARÉM, PARÁ
Jackeline Pimentel Pedroso, Christian Catunda Mota, Erivelton Ferreira Sá

INTERRELAÇÕES ENTRE FLEXIBILIDADE, ATIVIDADE FÍSICA E SEDENTARISMO: UMA INVESTIGAÇÃO COM ESTUDANTES DE ENSINO MÉDIO EM SANTARÉM, PARÁ

Autores: Jackeline Pimentel Pedroso, Christian Catunda Mota, Erivelton Ferreira Sá

Apresentação: O período de estágio nas escolas, possibilita a reflexões de acadêmicos de cursos de Licenciatura em torno do conhecimento apreendido durante o curso e suas interrelações com o contexto vivenciado nas diversas experiências. Esse momento proporciona a construção das próprias ações como futuros professores e a formulação de reações diante de problemáticas típicas da sociedade atual. A partir da aproximação com os alunos nas observações e regências das aulas no estágio supervisionado pode-se perceber algumas características dos alunos, bem como alguns de seus hábitos e atitudes, assim, alguns estudantes se destacam por serem fisicamente mais ativos, outros apegados às tecnologias, inclusive durante às aulas levam ao desenvolvimento de comportamento sedentário e pouco apego às atividades físicas. A Educação Física como área do conhecimento vinculada à saúde e como componente curricular na Educação básica pode possibilitar um ambiente propício para a discussão com os estudantes secundaristas sobre temáticas como a prática regular de atividade física e seus benefícios, bem como o sedentarismo e as mazelas a ele relacionadas. Nesse sentido, esta investigação teve como objetivo verificar o nível de flexibilidade de alunos do Ensino Médio de uma escola em Santarém-Pará e suas interrelações com o sedentarismo e atividade física. Como metodologia a investigação teve uma abordagem quanti-qualitativa, descritiva e pesquisa ação desenvolvida com 55 estudantes, sendo 30 meninos e 25 meninas, com faixa etária entre 15 e 18 anos de idade, que cursavam o segundo ano do Ensino Médio de uma escola pública estadual em Santarém, Pará. A participação dos adolescentes nesta investigação foi consentida pelos seus responsáveis através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e os estudantes aceitaram participar da investigação assinando o Termo de assentimento livre e esclarecido. Os estudantes foram submetidos ao teste de flexibilidade de sentar e alcançar de Wells, que avalia o grau de flexibilidade da articulação do quadril. Os resultados foram tabulados seguindo uma estatística inferencial no pacote estatístico Bioestat 5.0, tendo como valor de significância de 95% (α=0,05), e os estudantes foram classificados quanto ao grau de flexibilidade da articulação do quadril em: (1) excelente; (2) acima da média; (3) na média; (4) abaixo da média; e, (5) ruim. Todos os estudantes tiveram acesso a sua classificação de flexibilidade. Após todos realizarem o teste os participantes do estudo responderam a um questionário com perguntas abertas e fechadas e foram convidados a participarem de uma aula que tratava da importância dos hábitos de atividade física e dos riscos de uma vida sedentária, bem como apresentava exercícios voltados para a flexibilidade, especialmente a da região cintura- quadril. Os alunos foram realizando os exercícios em duplas e individualmente e ao mesmo tempo tirando as dúvidas sobre ensinamentos e técnicas de alongamento para cada região, visando melhorar nas suas práticas esportivas e nas atividades que exigem maior amplitude das articulações na vida cotidiana. De acordo com números apresentados pelos resultados dos alunos na melhor tentativa do teste de flexibilidade, pudemos verificar que nenhum estudante foi classificado como tendo “excelente” flexibilidade; apenas dois participantes foram classificados como tendo flexibilidade “acima da média”; a categoria “na média” foi a classificação apresentada por quinze alunos; “abaixo da média” com quatorze estudantes classificados; e outros vinte e quatro participantes do estudo foram classificados com flexibilidade “ruim”. Quando aplicado o teste de estatística inferência qui-quadrado no Bioestat 5.0 para avaliar a distribuição de frequência nas categorias de análise obtivemos como valor do teste= 36, e o valor observado de α=0,0001, ou seja, é estatisticamente relevante a classificação mais acentuada nos menores níveis de flexibilidade (flexibilidade ruim ou abaixo da média) dos discentes participantes do estudo. Estes dados são preocupantes tendo em vista que é sabido que níveis baixos de flexibilidade tendem a estar relacionados a baixos índices de atividade física e ao sedentarismo, bem como incorrem em um risco maior da ocorrência de doenças crônico degenerativas no futuro. A pesquisa mostrou através do teste, que na turma avaliada as meninas são menos flexíveis que os meninos, entretanto o grande crescimento do sedentarismo por parte das meninas, colabora para que esse número tenha gerado essa diferença, e até mesmo inverte o quadro de flexibilidade mostrando o contrário, o  que resulta na amostra de maiores níveis de flexibilidade em meninos e de acordo com os relatos  dos alunos deve-se pelo fato de praticarem atividades físicas esportivas dentro e fora da escola. Na comparação dos resultados com o questionário respondido pelos estudantes avaliou-se que aqueles que tiveram menor grau de flexibilidade, afirmam ser sedentários ou pouco ativos fisicamente e os que tiveram os resultados bons e excelentes são os alunos fisicamente ativos ou muito ativos. No questionário perguntamos se eles possuíam algum problema de saúde, os alunos pouco ativos e sedentários foram os que mais citaram problemas respiratórios e dores musculares que acreditam advir da má postura. Nesse sentido percebeu-se uma grande relação entre a prática de atividade física com a presença de doenças e o nível de flexibilidade dos alunos, esse fato é importante para que as aulas de Educação Física sejam meios de incentivo aos alunos a manter uma vida saudável, e sempre que possível sejam feitas ações para conscientização da comunidade escolar. Percebe-se ainda com a inclusão de testes e avaliações nas aulas, os professores poderão contribuir no desenvolvimento de aptidões físicas ainda não trabalhadas nas aulas de Educação Física. E desse modo discutir com os alunos temáticas que vão além dos conteúdos obrigatórios. A ação trouxe um grande aprendizado para os participantes e para os acadêmicos no papel de professor na escola, contribuiu na relação de professor e aluno e enriqueceu o conhecimento de ambos para com o tema que envolveu assuntos relacionados a saúde, ao exercício físico e ao ambiente escolar. Assim conclui-se que os alunos devem ser conscientizados sobre a importância da prática regular de atividades físicas, para melhora da flexibilidade e prevenção de problemas de saúde, com isso a Educação Física Escolar se faz necessária para a mobilização desses alunos, e também para oferecer atividades físicas, como forma de motivação, podendo diminui o quadro de sedentarismo que acomete os alunos. Palavras chave: flexibilidade; sedentarismo; atividade física.