428: Práticas do cuidado, percepções e implementações
Debatedor: Tamires Marinho Caldas
Data: 31/10/2020    Local: Sala 10 - Rodas de Conversa    Horário: 10:30 - 12:30
ID Título do Trabalho/Autores
9496 PROJETO VIDA ATIVA PELOTAS-RS: DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DE UMA POLÍTICA MUNICIPAL NO ANO DE 2019
Giulia Salaberry Leite, Inácio Crochemore

PROJETO VIDA ATIVA PELOTAS-RS: DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DE UMA POLÍTICA MUNICIPAL NO ANO DE 2019

Autores: Giulia Salaberry Leite, Inácio Crochemore

Apresentação: A Organização Mundial da Saúde (OMS), lançou o plano de ação mundial sobre atividade física e saúde (2018 a 2030), que estabelece a meta de reduzir a inatividade física em 10% até 2025 e 15% até 2030. Para que se alcance esse objetivo e haja redução dessa porcentagem é necessário que novas medidas sejam implementadas, bem como políticas públicas, para a promoção de saúde e também de iniciativas de atividade física regular para a população. A Política Nacional de Promoção da Saúde inclui a promoção de atividades físicas na agenda nacional, a partir disso, observa-se um crescimento das iniciativas de larga abrangência populacional, através de programas e campanhas em prol de estilos de vida mais ativos. Um exemplo local, na cidade de Pelotas-RS é o Projeto Vida Ativa Pelotas (PVA), que oferece gratuitamente a prática de atividades físicas, esportivas e de lazer para diversas faixas etárias da população. Com base no desenvolvimento de um modelo lógico do PVA, o objetivo do presente estudo é descrever as atividades realizadas no PVA no ano de 2019, bem como apresentar onde elas acontecem, como se estabelecem nesses núcleos, como são definidas as modalidades, a periodicidade que acontecem, quantidade de alunos por turma, se são divididos por faixas etárias, duração das atividades, quantidade de professores envolvidos, entre outros. Trata-se de uma pesquisa descritiva, com base em materiais públicos e contato com a Secretaria Municipal de Educação e Desporto. No ano de 2019, o PVA esteve inserido em todos os bairros e distritos do município de Pelotas, com atividades sistemáticas e assistemáticas, desenvolvendo-se em 50 núcleos, com um alcance de quatro mil pessoas por mês. As atividades assistemáticas eram eventos realizados aos finais de semana ou em comemoração à datas festivas. Já as atividades sistemáticas eram compostas por diferentes práticas corporais como, taekwondo, caminhada orientada, dança, ginásticas, musculação, ritmos, futebol, futsal, voleibol, atletismo, câmbio, entre outros. Conclui-se sobre a abrangência do programa, distribuição em todos os bairros e sobre a necessidade dessa política vir a se tornar uma política permanente do município, beneficiando através de suas atividades os participantes e dando estabilidade funcional aos profissionais de educação física que trabalham no PVA.

9503 A ARTE LITERÁRIA COMO RECURSO SÓCIO-AFETIVO: INTEGRANDO PRÁTICAS DE SAÚDE
Ingrid Vianna Espinosa Rodrigues, Ildenê Guimarães Loula, Raquel da Silva Teixeira, Yasmin Ferreira Sant'Anna, Letícia Arneiro Hespanhol

A ARTE LITERÁRIA COMO RECURSO SÓCIO-AFETIVO: INTEGRANDO PRÁTICAS DE SAÚDE

Autores: Ingrid Vianna Espinosa Rodrigues, Ildenê Guimarães Loula, Raquel da Silva Teixeira, Yasmin Ferreira Sant'Anna, Letícia Arneiro Hespanhol

Apresentação: A Biblioteca Dr. Nunjo Finkel do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), no Rio de Janeiro, desenvolve um projeto literário na instituição através de encontros de um Clube de Leitura. Entende-se que os livros são ferramentas importantes para o desenvolvimento e aprendizagem de todas as pessoas. A literatura, enquanto arte mobiliza os recursos emocionais, cognitivos e sócio-afetivos, fatores relevantes para a comunicação e expressão humana. O ato de ler amplia o vocabulário, dinamiza o raciocínio e aprimora a escrita. Além disso, a leitura possibilita reflexões sobre os mais variados temas, personagens, contextos, muitas vezes proporcionando uma ligação afetiva com o livro. Os principais objetivos do projeto são: promover a linguagem literária como forma de interação pessoal, favorecendo bem estar e saúde no sentido mais amplo. Incentivar a democratização do acesso à leitura, e o gosto pelo ato de ler. Estimular a experiência coletiva, o debate, e a socialização do conhecimento, reconhecendo na leitura, uma fonte de prazer, e de informação. O projeto foi desenvolvido para participação voluntária do público interno e externo. Os encontros do grupo são realizados mensalmente na Biblioteca e foram iniciados no ano de 2019. O planejamento, divulgação e seleção dos livros são realizados pela equipe da biblioteca, que busca indicações dos participantes, a diversidade de autorias e gêneros literários. Quem deseja participar deve acompanhar o cronograma, fazer a leitura do livro selecionado e comparecer na data pré-agendada para participação na roda de conversa. A mediação do clube é realizada pela equipe ou por mediadores convidados. Neste primeiro ano foram realizados nove encontros literários. Participaram pacientes, acadêmicos e profissionais de diversas categorias da instituição: administrativos, bibliotecários, médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos. Os encontros oportunizaram aos leitores o hábito de frequentar a biblioteca, proporcionando assim um espaço de encontro e convivência, além de proporcionar aos participantes a leitura de livros que normalmente não leriam por conta própria, mobilizando discussões saudáveis. Na avaliação realizada no final de 2019, os participantes consideraram como recursos importantes a apresentação de resenhas, vídeos e filmes para estimular a troca na temática do livro escolhido. Destacaram como pontos positivos: o ambiente acolhedor, amistoso, democrático e cooperativo, que dessa forma propicia a interação entre pessoas de diferentes áreas e vivências, através de uma troca singular sobre as experiências literárias. O Clube de Leitura visa contribuir para a formação de um público leitor, crítico e criativo. Através do compartilhamento de diferentes interpretações, visões e experiências, que a leitura proporciona, constrói-se um universo rico de significados para a saúde e para a vida. Os ganhos proporcionados pelos encontros, as trocas afetivas, a criação de vínculos ampliam as possibilidades dos participantes, para desdobramentos de outras ações, explorando potenciais e incentivando talentos. O projeto está registrado como ação educativa no Ministério da Saúde, conferindo certificação aos participantes, caso solicitado. Os encontros têm duração de 1h30min, realizados toda última semana de cada mês. A Biblioteca conta com apoio da Coordenação da Educação Permanente da Área de Ensino e Pesquisa do hospital e da Assessoria de Comunicação do HFSE.

9565 PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE SOBRE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO NO CONTEXTO DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA
EVELYNE LOBATO, JORGINETE DAMIAO, JULLIANA AYRES, JULIANA MARINHO, JULIANA SILVA, LUCIANA CASTRO, LUCIANA MALDONADO, CLAUDIA CARDIM

PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE SOBRE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO NO CONTEXTO DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA

Autores: EVELYNE LOBATO, JORGINETE DAMIAO, JULLIANA AYRES, JULIANA MARINHO, JULIANA SILVA, LUCIANA CASTRO, LUCIANA MALDONADO, CLAUDIA CARDIM

Apresentação: O papel das condicionalidades do Programa Bolsa Família (PBF) é promover o acesso aos direitos sociais básicos de saúde e de educação. As condicionalidades de saúde visam “garantir às famílias a oferta dos serviços básicos de saúde a que têm direito”. Neste sentido, a pesquisa nasceu de questionamentos acerca da potencialidade das condicionalidades de saúde do PBF em garantir equidade em saúde e nutrição. Este trabalho objetiva identificar as percepções dos profissionais de saúde da atenção primária à saúde (APS) do município do Rio de Janeiro acerca das questões relacionadas à alimentação e nutrição no contexto do Programa Bolsa Família. Desenvolvimento: A trajetória metodológica qualitativa baseou-se na proposta avaliativa e participativa de Onocko Campos et al (2013). O trabalho de campo foi realizado em três etapas: 5 grupos focais (GF) com 60 profissionais de saúde de nível superior; 5 grupos hermenêuticos para validação das narrativas produzidas nos GF, onde compareceram 24 destes profissionais, além de 1 grupo focal com agentes comunitários de saúde; Encontro de Avaliação e Proposição para compartilhamento dos resultados e construção conjunta de propostas com profissionais e gestores. Resultado: As narrativas evidenciaram a percepção das diferentes nuances da miséria e da fome na cidade, tanto na favela, quanto no asfalto, valorizando que o trabalho na APS proporciona enxergar a pobreza e as necessidades de saúde das pessoas devido à proximidade com territórios vulneráveis. Na agenda de nutrição na atenção primária houve reflexão sobre os obstáculos para a promoção da alimentação saudável, sobretudo para as crianças e sobre as ações voltadas ao diagnóstico nutricional no âmbito do acompanhamento das condicionalidades. Na prática, o acompanhamento é reduzido a “pesar e medir” as pessoas. Falta o olhar para a questão nutricional e prevalece uma visão utilitária do acompanhamento das condicionalidades, apenas para garantir que a família não tenha o benefício cortado e que o cumprimento das metas desta ação seja alcançado. Os profissionais e gestores propuseram mudanças para possibilitar efetiva utilização desta ação para o cuidado nutricional. Considerações finais: Apesar dos imensos desafios nesta ação, há um reconhecimento da potencialidade para o cuidado em saúde e nutrição das famílias.

9616 O PAPEL DO DIÁLOGO DELIBERATIVO COMO APOIO AOS GESTORES E TRABALHADORES DA SAÚDE NO APRIMORAMENTO DA SÍNTESE DE EVIDÊNCIAS PARA POLÍTICAS DE SAÚDE
Dolores Maria Franco de Abreu, Cristina Maria Rabelais Duarte, Fabiana Aparecida Corrêa de Oliveira Braga, Job Tolentino Júnior, Marcia Claudia Ribeiro Dias, Ramón Lorenzo Farell Sanchez, Stephanie de Moura Araújo Fernandes, Waldir Viana das Neves Junior

O PAPEL DO DIÁLOGO DELIBERATIVO COMO APOIO AOS GESTORES E TRABALHADORES DA SAÚDE NO APRIMORAMENTO DA SÍNTESE DE EVIDÊNCIAS PARA POLÍTICAS DE SAÚDE

Autores: Dolores Maria Franco de Abreu, Cristina Maria Rabelais Duarte, Fabiana Aparecida Corrêa de Oliveira Braga, Job Tolentino Júnior, Marcia Claudia Ribeiro Dias, Ramón Lorenzo Farell Sanchez, Stephanie de Moura Araújo Fernandes, Waldir Viana das Neves Junior

Apresentação: O diálogo deliberativo é uma importante estratégia para envolver os atores interessados (stakeholders) no planejamento de uma política informada por evidências, alinhando  conhecimento técnico e empírico, evidências de pesquisa, crença, valores e objetivos dos formuladores de políticas e implementadores. Os diálogos deliberativos não têm o objetivo de alcançar consensos, mas de colher impressões e perspectivas de diferentes atores sobre os aspectos relacionados ao enfrentamento de problemas, de modo a contribuir para o êxito de uma política em saúde.É no diálogo que as sínteses de evidências, elaboradas a partir de evidências globais e locais, são legitimadas e avaliadas pelos diferentes atores. Uma síntese de evidências compreende a descrição de um problema, a identificação de opções para enfrentar o problema e as estratégias e barreiras para a implementação das opções. No diálogo deliberativo realizado, foco deste relato, utilizou-se a síntese de evidências sobre o problema da superlotação hospitalar, onde foram identificadas duas opções de enfretamento: 1) Levantar fluxos e protocolos administrativos e assistenciais existentes a fim de qualificá-los e na ausência, implantá-los, implementá-los, monitorar e avaliar os resultados alcançados através de indicadores de desempenho, para melhor gerenciamento dos leitos; e 2) Identificar a necessidade de referência e contrarreferência para estabelecer pactos com a rede de saúde da região metropolitana II. O objetivo deste trabalho é apresentar a experiência do diálogo deliberativo organizado por um grupo de especializandos do Curso de Especialização em Gestão de Políticas Informadas por Evidências (PROADI/IEP/HSL). Desenvolvimento: A organização e execução do diálogo deliberativo compreendeu diversas etapas. Primeiramente, foram identificados os potenciais interessados na resolução do problema, seja pelo protagonismo na sua resolução ou por ser afetado por ele. A seleção final dos convidados considerou a representatividade dediferentes grupos: gestores das três esferas de governo; gestores de instituições de ensino e de serviços de saúde; membros de organismos da sociedade civil; representantes do controle social (usuários e profissionais); pesquisadores; representantes de colegiados gestores e representantes do poder legislativo local. Após contato prévio por telefone com os 12 convidados e aceitação dos mesmos, foram enviados convites formais, por e-mail, contendo a agenda, a síntese de evidências e o formulário de avaliação da síntese. A síntese foi estruturada de modo a facilitar a leitura e compreensão do tema abordado. O local escolhido para a realização do diálogo deliberativo era de fácil acesso e com recurso áudio visual para a apresentação da síntese. A organização do espaço permitiu que os participantes ocupassem mesas dispostas em forma de U, facilitando a troca e a interação entre eles. O diálogo foi executado em uma única sessão e contou com a figura do facilitador, ator importante para mediar as diferenças de poder entre os integrantes, evitando o debate e controlando o tempo de fala de cada um. Foram estabelecidos diferentes papéis para os integrantes da equipe que elaborou a síntese: um apresentador, três relatores e os demais participaram como observadores. Os relatores foram responsáveis por registrar sugestões, críticas e encaminhamentos oriundos das falas dos participantes. Ao final do diálogo, o relator final fez a leitura de um consolidado contendo os principais pontosabordados pelo grupo. Após o término da sessão, um formulário de avaliação foi distribuído para ser preenchido pelos  convidados. Após o encerramento, foi realizada uma reunião entre facilitador e equipe para troca de impressões sobre o comportamento dos convidados frente o diálogo, a equidade das opiniões, o que funcionou e o que poderia ter sido melhor. Finalmente, foi elaborado um relatório final pelos especializandos, que foi encaminhado como feedback para todos os convidados. Resultado: O Diálogo foi realizado no dia 04/12/2019, tendo início às 9:40hs. Estiveram presentes 21 pessoas, dentre eles 07 dos 12 convidados, a saber: um (01) gestor na esfera federal: um (01) gestor na esfera estadual; um (03) gestores na esfera municipal; um (01) representante do poder legislativo; e um (01) representante gestor da Comissão Intergestores Regional (CIR). A apresentação da síntese de evidências foi dividida em três momentos: problema; opções de enfrentamento; e barreiras e estratégias de implementação. Cada um deles gerou críticas, sugestões e encaminhamentos. Sobre o problema da superlotação hospitalar, os convidados consideraram relevante para o cenário municipal e abordaram alguns pontos críticos esugestões. Surgiram críticas relacionadas ao baixo diálogo entre os gestores dos hospitais municipais, estaduais e federais; aos problemas da região e aos recursos humanos. Dentre as sugestões destacaram-se: melhorar a qualidade das informações prestadas ao paciente, desde o acolhimento, até a alta hospitalar completa (médica, enfermagem, psicológica); mapear a rede de assistência de modo a identificar alternativas que poderiam serimplementadas para atender aos usuários, antes depassar para os outros níveis; e implantar telemedicina como alternativa para desafogar os hospitais. Para as opções de enfrentamento (1. levantar fluxos e protocolos administrativos e assistenciais a fim de qualifica-los para um melhor gerenciamento de leitos e 2. identificar a necessidade de referência e contrarreferência para estabelecer pactos com a rede de saúde) foram tecidas sugestões como: estabelecer protocolos de acesso, identificando o perfil assistencial da unidade; construir com a equipe protocolos/fluxos internos;monitorar os resultados da implantação dos protocolos; dar alta referenciada; e melhorar a comunicação intermunicipal e interpessoal, desde os gestores até os profissionais de saúde. Foram tecidas críticas somente sobre a primeira opção apresentada, como o excesso de protocolos e o baixo cumprimento deles; e a fragilidade na comunicação e divulgação dos protocolos. Para as barreiras e estratégias, uma das críticas foi a de ser exigido do profissional uma alta performance permanente, desconsiderando os fatores humanos que influenciam seu desempenho. Algumas das sugestões foram quantificar e qualificar as estratégias, começando pelas mais fáceis de serem implementadas; fixar os profissionais; e melhorar o acolhimento dentro do hospital. Os encaminhamentos referentes aos três momentos do diálogo foram: enviar a apresentação aos participantes; e considerar a proposta do governo federal de repasse do recurso financeiro por população cadastrada o que,  segundo as falas, poderia implicar em perda de recurso, inviabilizando o projeto. Com relação a avaliação final do diálogo, todos os 10 itens do formulário tiveram 90% dos registros classificados na opção “concordo plenamente”, apontando aprovação dos participantes Considerações finais: O diálogo deliberativo se mostrou um importante espaço de reflexão sobre a resolução de problemas de saúde e a mudança nas práticas, no que diz respeito a tomada de decisões baseadas em evidências. As múltiplas perspectivas dos diferentes atores sobre a superlotação e o contexto regional onde ela se insere, possibilitou o surgimento de diferentes alternativas para o aprimoramento do uso das evidências na gestão de políticas. A escolha correta dos diferentes atores interessados, o equilíbrio na representação dos diferentes grupos, assim como a garantia de participação, são desafios para que os diálogos deliberativos possam ser incorporados como importante ferramenta de apoio para a construção coletiva de políticas de saúde informadas por evidências.

9662 ANÁLISE DO ESTILO DE VIDA DE ESTUDANTES DE TERAPIA OCUPACIONAL
Juliano Mota Volinger, Mariana Nicole Cassola Theobald, Solena Ziemer Kusma Fidalski, Fabiana Caetano Martins Silva e Dutra, Iranise Moro Pereira Jorge

ANÁLISE DO ESTILO DE VIDA DE ESTUDANTES DE TERAPIA OCUPACIONAL

Autores: Juliano Mota Volinger, Mariana Nicole Cassola Theobald, Solena Ziemer Kusma Fidalski, Fabiana Caetano Martins Silva e Dutra, Iranise Moro Pereira Jorge

Apresentação: Este trabalho é um recorte de um projeto de pesquisa da parceria dos cursos de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Paraná com a Universidade Federal do Triângulo Mineiro que está estudando a temática do estilo de vida de estudantes. Entende-se por estilo de vida o comportamento dos sujeitos que refletem nos valores e nas atitudes no cotidiano das pessoas. Sendo assim o objetivo deste foi avaliar o estilo de vida de estudantes de graduação do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Paraná. Método: Estudo de abordagem quantitativa, observacional, com delineamento de corte transversal. Para coleta de dados foi utilizado dois instrumentos: uma anamnese e um questionário validado denominado “Estilo de Vida Fantástico”. Para realização deste obteve-se aprovação do comitê de ética e pesquisa sob o n°1.910.308 no dia 07 de fevereiro de 2017. Desenvolvimento: Foi aplicado o questionário em 135 alunos dos 424 matriculados respeitando o cálculo amostral. Resultado: Dos alunos que participaram 127 são do sexo feminino e 8 do sexo masculino tendo uma predominância de idade entre 19 e 22 anos. Destes, 68 alunos eram do integral e 67 do noturno. Com relação ao trabalho 86 estudantes não trabalham e 49 trabalham. Após análise do questionário que contempla 9 aspectos sendo eles: família e amigos; atividades; nutrição; cigarro e drogas; álcool; sono; cinto de segurança, estresse e sexo seguro; tipo de comportamento; introspecção e trabalho, obteve-se como principal resultado o índice de “bom” para o estilo de vida, representando por 64 alunos, e em seguida como “muito bom”, por 51 alunos. Considerações finais: Nota-se que os alunos participantes da UFPR e que foram avaliados apresentam um estilo de vida satisfatório representado por 119 alunos, tendo apenas 16 alunos com um índice regular ou que necessita de melhorias.

9703 COCRIAÇÃO DE RECURSOS EDUCATIVOS E SUA APLICAÇÃO EM ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL: RELATO DE PRÁTICAS DESENVOLVIDAS POR ESTUDANTES DE SAÚDE DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
Deison Alencar Lucietto, Marcos Antônio Albuquerque de Senna, Ludimila Yamada, Bruna Figueiredo Lopes, Caroline Pacheco Kifer, Nicole Martins Mannarino, Nathália Trindade Pimentel Simões Alcântara, Letícia Osório Miranda

COCRIAÇÃO DE RECURSOS EDUCATIVOS E SUA APLICAÇÃO EM ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL: RELATO DE PRÁTICAS DESENVOLVIDAS POR ESTUDANTES DE SAÚDE DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

Autores: Deison Alencar Lucietto, Marcos Antônio Albuquerque de Senna, Ludimila Yamada, Bruna Figueiredo Lopes, Caroline Pacheco Kifer, Nicole Martins Mannarino, Nathália Trindade Pimentel Simões Alcântara, Letícia Osório Miranda

Apresentação: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) enfatizam a importância do perfil generalista na formação em saúde, de modo que os futuros profissionais possam atuar, de forma crítica e reflexiva, como agentes de transformação da realidade social. Para tanto, pressupõe-se o desenvolvimento de competências e habilidades humanísticas e sociais, que extrapolem o meramente assistencial. É preciso, então, que os cursos de graduação em saúde ofereçam experiências de aprendizagem em cenários diversificados, que extrapolem os limites das clínicas e hospitais universitários, de modo que os estudantes possam tanto se apropriar de necessidades sociais de saúde quanto atuar em favor da sua defesa em âmbito comunitário. Nesse sentido, a integração ensino-comunidade é um mecanismo potente para o fomento da atenção à saúde, sensibilidade social, trabalho em equipe multiprofissional, comprometimento e responsabilização, elementos que compõem o perfil almejado para os profissionais de saúde. Atividades curriculares e/ou complementares com foco na promoção da saúde em comunidades de elevada vulnerabilidade social podem ser utilizadas para a mobilização de conhecimentos, habilidades e competências na análise de determinantes sociais de saúde (DSS) e na proposição de intervenções que contribuam com estilos e modos de vida mais saudáveis. Considerando o exposto, este trabalho relata a experiência de cocriação de recursos educativos e a sua aplicação em atividades de educação em saúde com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social no Projeto de Extensão “Pensa, imagina, inventa! Cocriação e compartilhamento de saberes e tecnologias sustentáveis em promoção da saúde” (PII!), envolvendo estudantes de Farmácia, Medicina e Odontologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolvimento: O Projeto PII! é oferecido como atividade complementar para estudantes de diferentes cursos de graduação da área da saúde da UFF e tem como objetivo promover saúde em comunidades de elevada vulnerabilidade social. Trata-se de um projeto multimetodológico estruturado em cinco eixos de complexidade crescente e que compreende todas as fases de um projeto de promoção da saúde comunitário. As práticas são desenvolvidas no Solar Meninos de Luz, instituição filantrópica que atua há 28 anos na educação integral de mais de 400 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e espaços sociais das comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, zona sul do município do Rio de Janeiro (RJ). Após a realização de visitas guiadas na instituição, de entrevistas sobre necessidades de saúde da comunidade com informantes-chave e da observação de DSS na comunidade, identificou-se a oportunidade de serem realizadas atividades de educação em saúde abordando a temática da higiene corporal, contaminação de alimentos e higiene bucal com crianças e adolescentes atendidos pelo Programa Família/Comunidade do Solar  de Luz, o qual desenvolve atividades de assistência social e saúde com famílias da localidade. Para tanto, foi realizado o planejamento de atividades de educação em saúde para crianças e adolescentes atendidos nos espaços do “Campinho” (na comunidade do Cantagalo) e do “Caranguejo” (na comunidade do Pavão-Pavãozinho). Considerando que as atividades de educação em saúde seriam realizadas em locais abertos, optou-se por organizá-las em “ilhas”, uma envolvendo a temática da “higiene corporal e contaminação de alimentos” e outra da “saúde bucal”. Esse planejamento foi conduzido por um grupo de estudantes de Farmácia, Medicina e Odontologia, sob supervisão docente. Foram elaborados e compartilhados materiais instrucionais com o planejamento efetuado. Na sequência, foram criados, de forma colaborativa, os recursos educacionais para as atividades: 1) esboço do corpo humano, microorganismos e sabonete com imã (para auxiliar a ensinar higiene corporal); 2) modelo do aparelho digestório (para explicar como os contaminantes dos alimentos interferem na saúde); 3) flyer explicativo sobre contaminantes dos alimentos e formas de higienização dos alimentos; 4) macromodelos da boca, escova dental e fio dental (para ajudar no entendimento da anatomia dentária e na higiene bucal); e 5) modelos do “jacaré com dentes de feijão” (para ensinar de forma lúdica a higiene bucal para crianças). Para contemplar as diferentes dimensões da sustentabilidade, esses recursos foram construídos com produtos como papelão, garrafas pets, E.V. A, tintas e outros de reuso. A concepção dessas “tecnologias educacionais” envolveu tanto a mobilização do grupo de estudantes da UFF quanto de pessoas externas, que auxiliaram na sugestão de ideias, no desenho dos recursos e na disponibilização dos produtos necessários para a sua criação. Foram realizadas quatro atividades de educação em saúde, sendo duas no Cantagalo e duas no Pavão-Pavãozinho. Elas foram desenvolvidas em datas definidas pelo Programa Família/Comunidade, aos sábados de manhã, no segundo semestre de 2019. Para isso, houve o apoio de equipes do Solar Meninos de Luz para os deslocamentos e para a própria operacionalização das intervenções. Resultado: Cerca de 160 crianças e adolescentes participaram das atividades de educação em saúde, mediadas pelos estudantes de Farmácia, Medicina e Odontologia da UFF, com acompanhamento docente. Em relação à concepção da proposta, observou-se que a participação conjunta de acadêmicos de diferentes cursos ampliou as perspectivas de análise da situação de saúde e a proposição de intervenções. A aposta no trabalho colaborativo e na cocriação fomentaram a criatividade e o compartilhamento de saberes sobre saúde, possibilitando a troca de informações, experiências e promovendo o aprendizado coletivo sobre saúde numa perspectiva ampla. A construção de recursos educacionais a partir de materiais de reuso e recicláveis, por sua vez, além de diminuir os custos, possibilitou que as dimensões social e ambiental da sustentabilidade fossem respeitadas. A tarefa exigiu mobilização para conseguir, junto a colegas e familiares, os materiais que seriam utilizados na produção dos recursos educacionais, servindo de estímulo à solidariedade e ao senso de equipe. Além disso, a divulgação de imagens e vídeos sobre os recursos no grupo de mensagens do Projeto gerou apoio e interesse por parte de outros estudantes. As intervenções de educação em saúde foram muito bem recebidas pelas crianças a adolescentes das comunidades. Os recursos educacionais criados cativaram a atenção e estimularam as crianças a participarem das dinâmicas desenvolvidas em cada “ilha”. Houve vários questionamentos e fornecimento de informações de saúde que extrapolaram os conteúdos previamente definidos. A interação produzida entre os estudantes da UFF e as crianças e adolescentes das comunidades foi bastante positiva, sendo acompanhada de brincadeiras, abraços e trocas de afeto. Considerações finais: O oferecimento de atividades complementares de ensino, pesquisa e extensão em realidades sociais diversas contribui para que os estudantes de cursos da saúde aprimorem saberes e desenvolvam competências e habilidades técnicas, humanísticas e sociais, indispensáveis ao seu futuro exercício profissional. A realização de intervenções de educação em saúde junto a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, no âmbito do Projeto PII!, possibilitou que estudantes dos cursos de Farmácia, Medicina e Odontologia da UFF pudessem “vivenciar” uma realidade até então desconhecida e, simultaneamente, que pudessem “aprender a aprender” a partir dos dilemas e contradições que envolvem a saúde de moradores das periferias. Os resultados foram bastantes satisfatórios para as crianças e adolescentes, uma vez que houve interesse, participação e grande envolvimento com cada atividade desenvolvida. Sob o ponto de vista da formação em saúde, embora não livre de dificuldades operacionais diversas, o processo se revelou bastante potente para a troca de informações, compartilhamento de saberes, produção de análises, cocriação dos recursos educativos, estímulo à criatividade, comprometimento, responsabilização, solidariedade e trabalho em equipe. As avaliações realizadas posteriormente com os estudantes denotaram que as experiências impactaram positivamente na formação e nas suas próprias trajetórias de vida.

9726 SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM E PRODUÇÃO DO CUIDADO: PERCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Laís Lopes Gonçalves, Jaçamar Aldenora dos Santos, Caroline Nascimento de Souza, João Vitor Nascimento Palaoro, Ana Paula de Araújo Machado, Italla Maria Pinheiro Bezerra

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM E PRODUÇÃO DO CUIDADO: PERCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

Autores: Laís Lopes Gonçalves, Jaçamar Aldenora dos Santos, Caroline Nascimento de Souza, João Vitor Nascimento Palaoro, Ana Paula de Araújo Machado, Italla Maria Pinheiro Bezerra

Apresentação: A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é definida como um modelo de organização e sistematização do cuidado. Este modelo de atenção é privativa do enfermeiro durante todo o seu processo de trabalho para que o mesmo possa desenvolver suas ações de maneira a melhorar a qualidade dos serviços e assistência prestada aos indivíduos. Diante disso, o trabalho tem como objetivo descrever a percepção da sistematização da assistência de enfermagem pelos enfermeiros da atenção primaria à saúde. Desenvolvimento: Trata-se de um estudo qualitativo descritivo, realizado em um município da região Norte do Brasil, da Amazônia ocidental. Fizeram parte dessa pesquisa 50 enfermeiros cadastrados nas equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF) das unidades de saúde. Para a coleta de dados foi utilizada uma entrevista semiestrutural e não participativa mediada por um checklist nos meses de agosto e setembro de 2017. O processo de organização de dados ocorreu a partir da técnica de análise de conteúdo de Bardin. O estudo respeita os preceitos éticos de pesquisa com seres humanos dispostos na resolução 466/12, sendo aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da Faculdade de Juazeiro do Norte, sob parecer de nº 1.975.410. Resultado: Evidenciou-se que a percepção dos enfermeiros da atenção primária em saúde em relação à sistematização tem foco nas etapas do processo para a construção do plano de cuidado, entretanto ligada a facilidade de implementar protocolos ministeriais. Na prática, estes não executam de forma a atender as etapas do processo de enfermagem e apenas desenvolvem ações com foco no problema de saúde, fragmentado. Considerações finais: A SAE é percebida como metodologia para melhoria da qualidade da assistência prestada, porém o processo de trabalho dos enfermeiros se encontra limitado aos programas assistenciais com a implementação de protocolos, o que implica em (re) formulação de práticas para que a SAE não seja apenas reconhecida como uma importante ferramenta do cuidar mas de fato executado no processo de trabalho no seu cotidiano.

9751 IMPLEMENTAÇÃO DA SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: DESAFIOS NA PRODUÇÃO DO CUIDADO
Laís Lopes Gonçalves, Jaçamar Aldenora dos Santos, Caroline Nascimento de Souza, João Vitor Nascimento Palaoro, Ana Paula de Araújo Machado, Italla Maria Pinheiro Bezerra

IMPLEMENTAÇÃO DA SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: DESAFIOS NA PRODUÇÃO DO CUIDADO

Autores: Laís Lopes Gonçalves, Jaçamar Aldenora dos Santos, Caroline Nascimento de Souza, João Vitor Nascimento Palaoro, Ana Paula de Araújo Machado, Italla Maria Pinheiro Bezerra

Apresentação: A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é configurada como uma metodologia cientifica, criada para garantir maior segurança e qualidade de assistência aos pacientes. A Resolução nº 358 de 2009 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) deu forças para que a SAE fosse instituída nos serviços de saúde como atividade privativa do enfermeiro, enfatizando a importância da aplicação da mesma em todo cotidiano de pratica assistência independentemente do nível de atenção ou setor ao qual tenha profissionais de enfermagem. A realização do processo de sistematização proporciona mais tempo e praticidade na hora da prestação do cuidado, o que ajuda a proporcionar uma assistência de qualidade e individualizada, com maior interação entre os profissionais e os pacientes. Através da implementação da SAE, os profissionais de enfermagem conseguem melhorar a sua autonomia frente a sua equipe e aos usuários, além disso, possibilitando que coloquem suas habilidades e saberes  em prática. Ao realizar a sistematização da assistência o enfermeiro consegue organizar todo o seu processo de trabalho, possibilitando uma maior interação entre a equipe e melhorando o gerenciamento dos diferentes profissionais e pacientes. Diante disso, a SAE se torna muito importante em especial na Atenção Primária à Saúde (APS), pois uma equipe que conhece o paciente e suas necessidades, possuem maiores chances de atingir os resultados esperados. Essa ferramenta do cuidar implica em um novo olhar no processo de trabalho em saúde, uma vez que permite ao enfermeiro desenvolver ações com foco em necessidades de saúde e não em problemas e /ou doenças, o que propicia práticas também com foco na promoção da saúde da população. A operacionalização da SAE acontece por meio do processo de enfermagem, composto por cinco etapas diferente, sendo elas: investigação, diagnostico, planejamento, implementação e avaliação, mas que possuem uma ligação totalmente dependente. Essas etapas são fundamentais para suprir às necessidades da atenção primária e também dos outros níveis de atenção, sendo favoráveis para a determinação de ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde. Portanto, a SAE vem para somar e auxiliar no planejamento, execução, controle e avaliação das ações e serviços prestados direta e indiretamente aos indivíduos, famílias e comunidade. Diante disso, o estudo em questão tem como objetivo identificar quais são os desafios na produção do cuidado na implementação da assistência na atenção primária à saúde. Desenvolvimento: Trata-se de um estudo qualitativo descritivo, realizado em um município da região Norte do Brasil, da Amazônia ocidental.  Participaram desta pesquisa 48 enfermeiros cadastrados nas equipes de saúde da família (ESF) das unidades de saúde dos referidos municípios. Para participar os profissionais necessitavam de mais de seis meses de atuação na assistência de enfermagem. Os dados foram coletados através da entrevista semiestruturada e a observação não participativa mediada por meio de um checklist, nos meses de agosto e setembro de 2017, através de um gravador digital. As entrevistas foram transcritas e depois armazenados numa pasta de Microsoft World. O processo de organização de dados ocorreu a partir da técnica de análise de conteúdo de Bardin. O estudo respeita os preceitos éticos de pesquisa com seres humanos dispostos na resolução 466/12, sendo aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da Faculdade de Juazeiro do Norte, sob parecer de nº 1.975.410. Resultado: Diante da análise das entrevistas, os resultados apontam que a implementação do processo de enfermagem na atenção primária à saúde é limitado, isso acontece, pois existem muitos entraves nos serviços de saúde. Tais como problemas com altas demandas de serviços, recursos humanos insuficientes para atender um grande número de usuários e realizar todas as necessidades de cuidados, falta de materiais básicos para assistência, tempo escasso para atender a grande quantidade de pacientes e as  funções gerenciais e, principalmente, a falta de vínculo que existe entre alguns profissionais, usuários e a comunidade. Esses problemas são capazes de dificultar o andamento do processo de trabalho de toda uma equipe, sendo assim, implementar algo que requer cuidado e atenção fica de lado pelos profissionais, dificultando a melhoria e a qualidade da assistência. Além disso, a implementação da sistematização também depende da formação  que esses profissionais tiveram durante a vida acadêmica e também da insegurança que os mesmos demonstram ter em relação ao assunto. Tudo isso são elementos que contribuem para as limitações na execução das diferentes etapas do processo de enfermagem. Nesse contexto, as evidências apontam que os enfermeiros compartilham de discursos muito semelhantes, que revelam os entraves que os acompanham desde a formação acadêmica até a prática dos serviços, confirmando a necessidade de uma reorganização do cuidado e a capacitação de profissionais para realizarem o processo de enfermagem de modo eficiente. De modo a mostrar para todos os profissionais, que só conhecer o processo de enfermagem não é o suficiente, os mesmos precisam possuir saber teórico e habilidade critico-reflexivo para atingir os resultados esperados. Considerações finais: A sistematização da assistência de enfermagem é muito importante na prática e planejamento da assistência, portanto, nota-se diante dos resultados encontrados que existe a necessidade de orientador e capacitar esses profissionais desde a graduação para que tenham o conhecimento básico necessário para colocar em pratica o processo de enfermagem. Diante disso, as faculdades devem (re)formular suas matrizes, abordando a temática com o objetivo de ensinar esses futuros enfermeiros a realizarem todas as etapas da sistematização com qualidade, garantindo um atendimento de qualidade e de maneira integral ao paciente. Além disso, a saúde vem passando por atualizações e inovações constantemente, o que gera a necessidade de um processo de ensino e capacitação continuo. Portanto, mesmo que estes profissionais já estejam em campos de trabalho, é fundamental para eles que tenham capacitações e treinamentos constantes, pois só assim, será possível  manter um padrão de qualidade em seus atendimentos, com propósito de atender todas as demandas e problemas de indivíduos, familiares e população. Assim, é importante que os professores e gestores sejam orientados e capacitados para ensinar nos campos de práticas, os futuros profissionais e os profissionais  que já atuam sobre a valorização da SAE para que seja possível mudar a percepção de todos quando se tratar do assunto.

9754 A ATUAÇÃO SOBRE AS DESIGUALDADES SOCIAIS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE SOB A ÓTICA DE ENFERMEIROS
Amanda Morais Polati, Nayara Rodrigues Carvalho, Vanessa Souza Amaral, Erica Toledo de Mendonça, Rayla Amaral Lemos, Beatriz Santana Caçador, Tiago Ricardo Moreira, Deíse Moura de Oliveira

A ATUAÇÃO SOBRE AS DESIGUALDADES SOCIAIS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE SOB A ÓTICA DE ENFERMEIROS

Autores: Amanda Morais Polati, Nayara Rodrigues Carvalho, Vanessa Souza Amaral, Erica Toledo de Mendonça, Rayla Amaral Lemos, Beatriz Santana Caçador, Tiago Ricardo Moreira, Deíse Moura de Oliveira

Apresentação: As desigualdades sociais entre classes possuem um grande poder de determinação no processo saúde-doença, sendo as maiores produtoras de iniquidades em saúde, que são as desigualdades de saúde evitáveis, injustas e desnecessárias entre grupos populacionais. De acordo com o índice de Gini, que avalia a medida do grau de concentração de uma distribuição (neste caso financeira) o Brasil atualmente é o nono país mais desigual do mundo. Isso pode ser justificado devido ao enraizamento das desigualdades sociais na nossa sociedade, que é uma das principais consequências do desenvolvimento capitalista. No Artigo 196 da Constituição Federal de 1988 o Estado prevê a saúde como direito de todos, a qual deve ser garantida por meio de políticas sociais e econômicas que objetivem a redução do risco de doença e de outros agravos, bem como o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Porém, as evidências apontam que as chances de utilização dos serviços de saúde estão fortemente associadas a variáveis sócio-econômicas, tais como raça, anos de estudo, ocupação e acesso a serviços públicos. Tal contexto contribui para a produção das iniquidades em saúde, as quais desdobram-se nos determinantes sociais da saúde como o modelo explicativo do processo saúde-doença na contemporaneidade. A Estratégia de Saúde da Família (ESF) no âmbito de atenção da Atenção Primária à Saúde (APS) no Sistema Único de Saúde (SUS), prevê o contato direto da equipe com a comunidade, buscando a operacionalização de uma prática de saúde transformadora, centrada no território e na comunidade. Além disso, procura-se a instituição de uma prática intersetorial na APS, que ultrapasse as questões referentes ao setor saúde, ocupando-se da determinação social da saúde. Deste modo, compreende-se que a APS configura-se como o contexto assistencial onde as desigualdades sociais figuram-se como uma questão cotidiana a ser enfrentada no território. Neste cenário de cuidado inscreve-se a Enfermagem que possui o compromisso de pensar e atuar junto às populações, ocupando-se dos determinantes sociais da saúde para, assim, produzir intervenções sociais que contribuam para a efetivação da equidade. Entretanto, percebe-se na prática profissional do enfermeiro um avanço no que se refere à sua qualificação formal (aperfeiçoamento técnico) e, por outro lado, uma fragilidade na SUS atuação contribuindo para o aprofundamento de práticas opressivas no setor saúde e dificultando o seu enfrentamento frente às questões sociais que permeiam o processo de trabalho. Sendo assim, buscou-se através da realização desta pesquisa compreender as experiências de enfermeiros da APS no que tange à sua atuação sobre as desigualdades sociais em saúde (DSS). Desenvolvimento: trata-se de um recorte da dissertação de mestrado intitulada “Experiências e o desenvolvimento de competências no enfermeiro para a atuação sobre as desigualdades sociais na saúde”, defendida em 2018 em uma universidade pública de Minas Gerais. A presente investigação é de natureza qualitativa e teve como cenário o serviço de Atenção Primária de um município da Zona da Mata Mineira. O referido município possui 18 equipes de saúde da família, sendo que 11 dos 18 enfermeiros aceitaram participar da pesquisa. A coleta de dados ocorreu nos meses de julho e agosto de 2017, por meio de entrevista com questões abertas realizada individualmente. Os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin. O presente estudo obteve parecer favorável do Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos (CEP) da universidade pública inscrita no município cenário do estudo (Parecer n. 2.058.819 /CAAE 67962717.2.0000.5153). Resultado: Os participantes destacam as DSS como um desafio cotidiano enfrentado no âmbito da APS, circunscrito a uma formação incipiente para atuar neste contexto. Ao vivenciarem as desigualdades sociais no território, os enfermeiros confrontam-se com o baixo nível de escolaridade e compreensão da população como  fator que reforça a ocorrência de iniquidades, configurando um modo singular de andar a vida e uma barreira que pode impedir o acesso à informação e à saúde. Neste sentido, torna-se necessário o desenvolvimento de competências que garantam uma formação cultural e moral dos profissionais de saúde, para que ao se encontrarem diante dos abismos educacionais inscritos na sociedade sejam capazes de compreender as singularidades de cada indivíduo e reconhecê-los não como produtores, mas como produtos das desigualdades sociais. A desarticulação e ausência de comunicação da Rede de Atenção à Saúde (RAS) foi outro desafio encontrado, fazendo com que o enfermeiro realize por conta própria ações assistencialistas, com o propósito de atuar emergencialmente sobre questões sociais que surgem no cotidiano. Como consequência, a literatura evidencia que a busca por ações assistencialistas e filantrópicas apresentam-se como um desafio para a consolidação da APS enquanto ordenadora da assistência à saúde no SUS. Tal fato explica-se pela não resolubilidade destas ações, caracterizadas pela solução de problemas agudos e superficiais com foco no tratamento, dissociando-se do papel da APS na RAS, que busca a implantação de um novo modelo de atenção à saúde com foco na corresponsabilização e integralidade do cuidado. Além disso, compreende-se a existência de uma lacuna na formação política do enfermeiro, fazendo com que tais profissionais realizem ações que contribuem para a perpetuação de modelos hegemônicos de produção de saúde, como as ações assitencialistas. Ademais, ao vivenciar as desigualdades sociais no território da APS, considerando a existência de uma rede de atenção à saúde desarticulada, a situação educacional como um desafio cotidiano e a realização de ações assistencialistas como saída, o enfermeiro encontra-se sitiado em um contexto de sentimentos marcado por impotência, angústia, frustração, desmotivação, entre outros. A responsabilização pela resolução de questões sociais complexas presentes no território pode direcionar estes indivíduos ao desenvolvimento de uma paralisia política e intelectual, visto que tais dificuldades são apreendidas como pessoais, provocando nestes um sentimento de incapacidade. Tal responsabilização acontece devido a um comprometimento ético, político e social que estes profissionais instituem na sua prática profissional, em busca de contribuir para a transformação da realidade dos sujeitos inscritos neste cenário. Considerações finais: Tais resultados retratam desafios vivenciados pelos participantes no que diz respeito ao enfrentamento das DSS. Isso sinaliza a importância de reavaliação do processo formativo em Enfermagem, objetivando a formação de competências para atuar no enfrentamento das DSS no território da saúde. Evidenciou-se também que as dificuldades relacionadas a tais desigualdades dialogam com as vivenciadas pelo próprio SUS e pela sociedade brasileira, que tem sofrido com a inoperância do poder público na atuação sobre as desigualdades sociais, culminando nas iniquidades em saúde perpetuadas no território.

9764 POTENCIALIDADES E DESAFIOS DA PRÁTICA DO MATRICIAMENTO NA VISÃO DE PROFISSIONAIS DA GESTÃO E DOS SERVIÇOS
Gabriele Izaguirres Ortiz, Alexandra Iglesias

POTENCIALIDADES E DESAFIOS DA PRÁTICA DO MATRICIAMENTO NA VISÃO DE PROFISSIONAIS DA GESTÃO E DOS SERVIÇOS

Autores: Gabriele Izaguirres Ortiz, Alexandra Iglesias

Este estudo tem como objetivo analisar as concepções dos profissionais da gestão, trabalhadores e diretores dos serviços de saúde do município de Vitória (ES) sobre matriciamento, entendido como uma ferramenta para a efetivação da gestão em saúde, o qual aposta na produção de saúde através do apoio entre equipes de saúde especializada e demais profissionais da rede com o objetivo de criar e enriquecer as possibilidades de intervenção por meio do projeto terapêutico singular, visitas e atendimentos compartilhados. Foram realizados 4 grupos focais na Escola Técnica do SUS (ETSUS) conduzidos por uma dupla diferente de pesquisadoras em cada grupo, a discussão foi norteada por um roteiro de perguntas sobre o entendimento que os profissionais tinham sobre matriciamento, bem como seus desafios e potencialidades no cotidiano dos serviços. O conteúdo destes grupos foi gravado, transcrito e submetido a uma análise lexical com o auxílio do software IRAMUTEQ. Os resultados obtidos mostram que os profissionais enxergam o matriciamento como uma ferramenta de construção conjunta da saúde, sendo muito eficiente no compartilhamento do cuidado, reavaliando assim o encaminhamento dos pacientes para especialidades. Os profissionais afirmaram que mediante o matriciamento, o compartilhamento de saberes aumentou o conhecimento e a segurança na hora de tratar de um usuário para além da formação deste profissional. Entretanto, ainda há obstáculos para serem ultrapassados para a implantação do matriciamento nos serviços de saúde, como por exemplo a organização da unidade de saúde que recebe a equipe matriciadora, a seleção dos casos para levar para a reunião, como também o olhar para o usuário dos serviços com um ser fragmentado e não integral. Observou-se através dos resultados que a implantação do matriciamento nutre a ideia de responsabilização nos diversos atores da saúde em relação aos casos que circulam os serviços. Desta forma o matriciamento é percebido pelos profissionais da gestão e dos serviços de duas formas, em alguns momentos se configura em uma espécie de ponte que une usuário, serviços e gestão, enquanto em outros encontra obstáculos e desafios para o seu desenvolvimento efetivo.

9784 1º ENCONTRO NORDESTE DE SAÚDE DA FAMÍLIA (1º ENESF)
Cheila Pires Raquel, Ivana Cristina Holanda Cunha Barreto, Luiz Odorico Monteiro Andrade, Amanda Cavalcante Frota, Silvia Maria Negreiros Bomfim

1º ENCONTRO NORDESTE DE SAÚDE DA FAMÍLIA (1º ENESF)

Autores: Cheila Pires Raquel, Ivana Cristina Holanda Cunha Barreto, Luiz Odorico Monteiro Andrade, Amanda Cavalcante Frota, Silvia Maria Negreiros Bomfim

Apresentação: A Estratégia Saúde da Família (ESF), criada em Quixadá/CE, adotada em 1994 pelo Ministério da Saúde, passou a ser a porta de entrada do SUS, por meio do vínculo com a comunidade e tornou-se referência mundial. Com o propósito de refletir sobre as condições da ESF (Brasil/Nordeste/CE), seus desafios e perspectivas; pesquisadores, profissionais de saúde, estudantes e docentes do ensino técnico/superior, residentes/preceptores em saúde, gestores e membros dos conselhos de saúde realizaram o 1º ENESF. Objetivo: a) Promover o compartilhamento de experiências/resultados de pesquisas na ESF; b) Lembrar/Comemorar importantes marcos históricos da saúde pública nacional e cearense; c) Aproximar sujeitos/instituições estratégicas para o fortalecimento da ESF; d) Posicionar-se frente à imposição da EC 95/2016 que congela os recursos para saúde em 20 anos. No âmbito da pesquisa buscou-se catalisar a formação de redes colaborativas e comunidades de prática, que em seu movimento de participação e aprendizagem contínua abordam os problemas de saúde da população e ajudam a identificar caminhos de superação dos problemas enfrentados. Sobre as datas e marcos históricos foram celebrados: os 30 anos da institucionalização dos ACS; 28 anos do início do processo de municipalização da gestão em saúde que concretizou a implantação do SUS; 25 anos da criação da Escola de Saúde Pública do Ceará; 24 anos da ESF, 10 anos da decisão técnico-política que definiu a implantação do Polo Industrial e Tecnológico da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ-Eusébio/CE) e 5 anos da Residência Integrada em Saúde do Ceará (RIS-ESP/CE). Desenvolvimento: Realizado em 13/14/15 de junho/2018, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza foi Coordenado pelo Governo do Estado do Ceará por intermédio da Secretaria da Saúde; Ministério da Saúde, por meio da Fundação Oswaldo Cruz e pelo Conselho Estadual de Saúde do Ceará. De forma colaborativa e interinstitucional, participaram do processo de construção/implementação: Rede Nordeste de Formação em Saúde da Família (RENASF), Prefeitura de Fortaleza, UFC, UECE, UNILAB, ABRASCO, Escola de Saúde Pública do Ceará, Escola de Formação em Saúde da Família Visconde de Sabóia, Centro Universitário Christus, Prefeitura Municipal do Eusébio, COSEMS/CE e Associação dos Municípios do Estado do Ceará. Foram 5.549 inscrições, sendo 2.233 de profissionais da saúde, 1.571 estudantes de nível técnico/graduação/pós-graduação, 684 ACS, 356 residentes em saúde, 200 docentes, 166 gestores, 77 técnicos em saúde, 22 sujeitos do controle social e 240 profissionais de áreas afins. Foram submetidos 1.679 trabalhos, sendo 1.312 aprovados: 922 relatos de experiência, 329 resumos de pesquisa, 44 na modalidade Comunicação e Saúde, 27 produtos/materiais técnicos e 5 produções culturais/artísticas. O 1o ENESF integrou 8 eventos: Seminário Preparatório da Abrasco - 25 Anos da ESF em Defesa do SUS; I Encontro da Rede Nordeste de Formação em Saúde da Família, I Mostra Qualifica APSUS do Ceará, I Mostra Estadual do Programa Mais Médicos do Ceará,  I Mostra de Vigilância em Saúde, III Mostra de Residências Multiprofissionais em Saúde e VI Mostra de Saberes da Educação Profissional da VII EXPOESP, VI Mostra da Secretaria de Saúde de Fortaleza e Oficina de ressignificação do Curso Técnico dos Agentes Comunitários de Saúde (CTACS). Representantes de 11 estados estiveram presentes: CE, AL, MA, PB, PE, PI, RN, MS, ES, RJ e PR. Resultado: No evento, 80 municípios foram premiados por meio do Projeto de Qualificação da Atenção Primária à Saúde do Ceará, que objetiva subsidiar a reorganização do modelo de atenção a partir da reestruturação da Atenção Primária nos municípios e, consequentemente, da implementação das Redes de Atenção (RAS). A construção colaborativa do evento aproximou sujeitos e instituições em defesa do SUS. O ENESF foi demarcado como um encontro científico, político, cultural e afetivo. Sujeitos das diversas instituições/municípios/gerações reencontraram-se em pauta única e segundo relatos sentiram-se em coletivo. Percebida a necessidade de fortalecimento científico e político da ESF por meio do encontro sistemático entre pesquisadores, docentes, gestores, trabalhadores, estudantes e usuários, com o objetivo de criação de uma rede colaborativa de defesa de modelo, embasado no conhecimento científico, na cultura e na participação popular. Considerações finais: Apenas depois de mais de duas décadas, profissionais que participaram ativamente do processo de criação da ESF no Ceará e no Brasil reuniram-se para refletir/avaliar o trabalho e a ESF ao longo do período. A oportunidade foi garantida pelo processo colaborativo dos atores que vivenciam hoje a rotina da ESF, em estudos e práticas. A troca de saberes entre criadores da estratégia, estudantes, novos pesquisadores, profissionais, conselheiros e gestores foi a grande riqueza do encontro. Dentre os produtos do evento destaca-se o fortalecimento da Educação Permanente Interprofissional em Saúde da Família e a Colaboração Interprofissional em Saúde pela realização da Oficina de ressignificação do Curso Técnico dos Agentes Comunitários de Saúde e a I Terreirada das Residências em Saúde. A oficina de ressignificação do CTACS  abordou a construção das competências a serem desenvolvidas na nova formação e contou com a participação de sujeitos de diversos segmentos da ESF do Brasil (CONASS, FENACS, FIOCRUZ, RENASF, UNASUS, ESP/CE, Agentes Comunitários de Saúde do Ceará, pesquisadores dos estados da Bahia, Minas Gerais e  Ceará e Gestores locais). A I Terreirada das Residências em Saúde (ITRS) inaugurou no calendário cearense o encontro acadêmico, artístico, popular e político das residências uni/multiprofissionais pela valorização das práticas populares de cuidado, as práticas integrativas e complementares, a cultura, a arte e a educação popular em saúde na formação modalidade residência em saúde. Partindo do reconhecimento da importância do resgate da ancestralidade e das práticas populares de cuidado silenciadas e tratadas com subalternidade ao longo de nossa história, a ITRS foi organizada na forma de tenda-lúdica em que se vivenciou ludicamente o compartilhamento de práticas e saberes, oportunizando vivência-reflexão sobre uma concepção de saúde humanizada, integralizadora e em diálogo com a saúde dos povos. A organização coube a profissionais residentes e docentes que desenvolvem práticas integrativas, populares e complementares no âmbito dos Programas de Residência em Saúde do Ceará. Sendo a ESF estruturante para o SUS e frente às políticas de austeridade, há necessidade científica/política, em novas edições e nas práticas diárias, de incluir o ENESF no calendário nacional, como estratégia de fortalecimento do SUS. SS

9829 TRATAMENTO FORA DO DOMICÍLIO: CARTOGRAFIA DE UM PERCURSO QUE O TRABALHADOR DE SAÚDE DESCONHECE
Kátia Santos Oliveira, Ana Lucia De grandi, Sarah Beatriz Coceiro Meirelles Felix, Maira Sayuri Sakay Bortoletto, Josiane Vivian Camargo Lima, Rossana Staevie Baduy, Regina Melchior

TRATAMENTO FORA DO DOMICÍLIO: CARTOGRAFIA DE UM PERCURSO QUE O TRABALHADOR DE SAÚDE DESCONHECE

Autores: Kátia Santos Oliveira, Ana Lucia De grandi, Sarah Beatriz Coceiro Meirelles Felix, Maira Sayuri Sakay Bortoletto, Josiane Vivian Camargo Lima, Rossana Staevie Baduy, Regina Melchior

Apresentação: As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são definidas como “arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas que, integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado”. Tem como objetivo organizar e garantir acesso universal aos serviços de saúde, assegurando equidade e igualdade. Ela precisa existir, no entanto, em muitas situações é possível perceber que os trabalhadores são capturados pelas normas e uma forma de organização que foi criada para garantir acesso e cuidado entre pontos dos diferentes níveis de atenção que compõe esta rede, acaba criando descaminhos e as necessidades de saúde deixam de ser ordenadoras do processo. Desenvolvimento: Esta pesquisa faz parte do Observatório de Práticas de Cuidado em Redes Atenção Domiciliar e Atenção Básica, com abordagem qualitativa, cujo o trabalho de campo foi embasado pela pesquisa cartográfica. O ponto de partida do trabalho de campo se deu pelo acompanhamento de equipes e posteriormente uma usuária do Serviço de Atenção Domiciliar. A aposta foi transitar pelos encontros percorrendo-os com a usuária (apresentada com nome fictício), que foi a guia pelos caminhos e pontos da RAS na construção de um mapa cartográfico de cuidado. Encontros que aconteceram entre os meses de setembro de 2016 a julho de 2018. Resultado: Uma das experiências vivenciadas pela pesquisadora que acompanhou a usuária-guia foi uma viagem de ambulância, de quase 400 km de distância para passar por uma consulta médica, com uma especialista responsável por solicitar um exame de biópsia muscular. A usuária-guia é uma menina de 6 anos portadora de uma miopatia não especificada, e a biópsia foi uma alternativa apresentada a família como possibilidade de classificar o tipo de miopatia, e com isso tentar direcionar o tratamento e prognóstico, no entanto, a realização do exame estava condicionada ao acompanhamento ambulatorial por esta especialista. Entender como é a experiência deste tipo de viagem só foi possível vivenciando com Aninha e sua família este momento, em trechos do diário de campo, apresentamos o relato das sensações e impressões da viagem experienciada pela pesquisadora em campo: As portas da ambulância, embora com boas travas, não tinham um encaixe “perfeito” balançavam e faziam muito barulho a cada buraco, defeito ou movimentação abrupta na estrada. O barulho de lataria, dobradiças e travas batendo era companheiro de viagem. Apesar de não conhecer detalhadamente de mecânica de veículos, posso afirmar que aqueles amortecedores não eram dos mais novos e “macios”, era possível sentir cada irregularidade da estrada, com pulos e trancos que se somavam e intensificavam o barulho das portas. Fiquei sentada, e a sensação de estar me deslocando lateralmente (posição do banco) em relação ao sentido da estrada, era horrível, parecia que tudo rodava e o enjoo era companheiro de viagem. Lilian (a mãe) deitou-se, na maca estreita de transporte de pacientes, com Aninha, tanto na ida quanto na volta. Aninha, a cada movimento mais brusco de curvas ou buracos no asfalto, segurava forte em minha perna ou pedia para que eu segurasse suas mãos. Esboçava o mesmo medo de cair de quando estava sentada na maca (durante a consulta médica), às vezes até gritava assustada, Lilian segurava e apoiava as pernas e o corpo de Aninha, mas a sensação de um pouco mais de segurança vinha quando a própria Aninha estava se segurando em mim. Depois de umas duas horas de estrada Aninha precisou ser aspirada (ela tem traqueostomia), enquanto Lilian separava os materiais, fui fazer a troca do prolongamento da saída do oxigênio para o vácuo (com a ambulância em movimento). Conectamos o equipamento, abri a válvula do oxigênio, e o vácuo não funcionou. Percebemos que a pressão daquele cilindro estava muito baixa. Avisei ao motorista, que disse que pararia no próximo local possível para fazer a troca do cilindro [Diário de Campo]. A viagem além de cansativa e desconfortável foi improdutiva: foram seis horas de ida, quatro horas de espera até a consulta, mais três horas de espera até a ambulância voltar para nos buscar, e seis horas de estrada na volta. Durante a consulta todo exame clínico foi realizado por residentes, a médica não a examinou, se relacionava mais com os papéis, dava mais atenção aos exames do que à criança e sua mãe. O que prevaleceu foi a impessoalidade, e a repetição de um processo de trabalho já enraizado, em que residentes fazem o exame clínico, passam para o médico que “sacramenta”, realizando a renovação de receitas e finalizando o atendimento com o aprazamento de retorno em seis meses. Segundo o pai de Aninha, isso sempre se repetia, “a gente só vai para lá para fazer um passeio”, pois a cada consulta, uma desculpa era apresentada para justificar a não realização dos exames, e isso já se repetia há 4 anos. A impressão que me passou é que aquela trabalhadora não entendia o significado daquela viagem para a família (e para tantas outras que lá estavam), e a luta para conseguir fazer o exame, e as consultas com viagens a cada seis meses passaram a fazer parte da rotina de tratamento. Uma das estratégias de organização da RAS é a definição de fluxos, como, por exemplo, dos casos que vão para Tratamento Fora do Domicílio, com isso o foco fica no cumprimento destes fluxos e não no cuidado do usuário, como no caso de Aninha, que é submetida a viagens, para se manter vinculada a um serviço, que quando “for possível” realizará o exame de que ela necessita. O sujeito da ação passa a ser o fluxo, e o usuário a ferramenta para mantê-lo, havendo uma inversão do processo de produção do cuidado, em que a rede acaba por promover uma torção colocando como regra o cumprimento do fluxo no qual o usuário tem de seguir um protocolo, e não estes servirem para atender às necessidades do usuário. Bertussi, et al. (2016) discutem que os fluxos e protocolos têm o papel de sistematizar a abordagem para diferentes situações clínicas. No entanto, não devem ser tomados como única forma de agir e conduzir o cuidado dentro da rede, devem servir como “ponto de partida para o manejo clínico, pois este, necessariamente, precisa levar em conta a singularidade das existências/experiências dos diferentes usuários”. Ou seja, fluxos e protocolos devem ser elaborados como ferramentas para atender às necessidades dos usuários, e não o contrário. Considerações finais: A RAS foi pensada para garantir o acesso ao cuidado, no entanto, observa-se que tanto a conformação da rede quanto o modo acrítico como trabalhadores a operam têm produzido um distanciamento do cuidado e da singularidade, levando a mais sofrimento do que cuidado em si. Valorizar o encontro, fazendo com que seja mais resolutivo e produtor de cuidado é fundamental para atender à necessidade dos usuários. A sensação é de que há uma banalização da vida do outro e do esforço que a pessoa precisa despender para garantir o acesso ao que tem direito. Para que a RAS se torne mais resolutiva e cuidadora é necessário que os trabalhadores nela envolvidos além de conhecerem seus processos e funcionamento, olhem para a história e as necessidades de cada usuário tornando o encontro um processo singular de cuidado.

9849 PRÁTICAS DE CUIDADO NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Claudia Keles Santos da Silva, Fernanda Carolina Romano de Sousa, Breno Felipe do Nascimento Cardoso, Bruna Larissa Dias da Silva, Fabiola Soraia Santos da Silva, Maria Lúcia Chaves Lima

PRÁTICAS DE CUIDADO NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Claudia Keles Santos da Silva, Fernanda Carolina Romano de Sousa, Breno Felipe do Nascimento Cardoso, Bruna Larissa Dias da Silva, Fabiola Soraia Santos da Silva, Maria Lúcia Chaves Lima

Apresentação: O presente trabalho tem como base as experiências obtidas durante a realização do projeto intitulado “Estágio Multicampi Saúde”, ocorrido no mês de dezembro de 2019 na cidade de Belém (PA). Trata-se de um programa de capacitação de caráter interdisciplinar, realizado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e composto por docentes, preceptores atuantes nos serviços de saúde e estudantes de diversos cursos da área da saúde. Tal estágio teve como objetivo propiciar a reflexão acerca dos mais variados aspectos presentes nos processos de saúde e adoecimento por meio da participação ativa dos estudantes nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). No período de vinte dias, o grupo composto por estudantes de farmácia, odontologia, psicologia e terapia ocupacional acompanhou a rotina de uma equipe multiprofissional em uma unidade de saúde da família, sob supervisão de uma enfermeira preceptora. Os estudantes acompanharam a realização de consultas de rotina, visitas domiciliares à parturiente, testes do pezinho e exames preventivos de câncer de colo de útero, além de participarem de campanhas de imunização contra o sarampo. Também foi realizada uma ação de saúde na Ilha do Combu, distante cerca de 10 minutos de barco da capital Belém, ocasião em que foram ofertados vários serviços, tais como consulta médica e nutricional; realização de testes rápidos de hepatites B, C e HIV; aconselhamentos após os resultados dos testes; distribuição de preservativos e discussão acerca da importância do seu uso não só na prevenção de gravidez indesejada, como também de infecções sexualmente transmissíveis. Outros serviços envolveram a educação em saúde bucal e imunização com as vacinas previstas no calendário nacional de vacinação, com ênfase na vacina tríplice viral. Como resultado, verificou-se que as práticas de cuidado executadas na estratégia saúde da família são de extrema importância para a promoção de saúde da população atendida, ratificando a importância da atenção primária, uma vez que aumenta a possibilidade de resolução de problemas e diagnósticos precoces e diminui a necessidade de interferência da alta e média complexidade em um hospital ou unidade de pronto atendimento. Outro ponto importante é a relação custo-benefício, pois, ao fortalecer práticas de prevenção e educação em saúde, é possível reduzir significativamente os gastos com o tratamento de doenças e a superlotação dos hospitais. A partir do que foi vivenciado, é unânime entre os discentes a percepção do esforço por parte dos profissionais em colocar em prática os princípios da humanização, com destaque para o respeito e a interação com os usuários. Ademais, a execução de estágios multiprofissionais é de grande relevância para formação acadêmica e profissional, visto que proporcionam experiências que provavelmente não seriam viáveis em áreas individuais, possibilitando aprendizados que ultrapassam as fronteiras dos livros e das salas de aula.

9863 DISSEMINAÇÃO DE SABERES PRODUZIDOS EM PESQUISAS ACADÊMICAS: A EXPERIÊNCIA DA FIOCRUZ (CE)
Cheila Pires Raquel, Ivana Cristina Holanda Cunha Barreto, Amanda Cavalcante Frota, Kelen Gomes Ribeiro, Isabella Koster, Isabela Soares Santos, Luisa Regina Pessôa

DISSEMINAÇÃO DE SABERES PRODUZIDOS EM PESQUISAS ACADÊMICAS: A EXPERIÊNCIA DA FIOCRUZ (CE)

Autores: Cheila Pires Raquel, Ivana Cristina Holanda Cunha Barreto, Amanda Cavalcante Frota, Kelen Gomes Ribeiro, Isabella Koster, Isabela Soares Santos, Luisa Regina Pessôa

Apresentação: O Programa de Políticas Públicas e Modelos de Atenção e Gestão de Saúde (PMA), vinculado à Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Ministério da Saúde (MS), objetiva fomentar, induzir e gerir redes de pesquisa aplicadas na área de saúde pública. O interesse é que os resultados incorporados às políticas públicas e às realidades e práticas de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) possam impactar o público-alvo. O ensejo, portanto, criou uma ação que visa à disseminação de pesquisa para além dos espaços acadêmicos tradicionais (artigos, livros e relatórios), atualmente uma demanda mundial. O PMA, portanto, lançou edital de fomento à rede de pesquisa em 2015 com o incremento de fortalecer o investimento na disseminação das pesquisas que compõem a Rede PMA. Na esteira deste debate, a unidade da Fiocruz -CE teve a pesquisa intitulada “Campo de Práticas Profissionais e Acesso ao Cuidado na Estratégia Saúde da Família do Ceará (CAMPESF)”, aprovada para compor a Rede PMA. O trabalho de disseminação dos achados da pesquisa teve início em abril de 2019 e até o momento segue em execução.  Objetivo: Disseminar a produção de conhecimento da pesquisa CAMPESF para o público-alvo por meio de diferentes canais de comunicação, de forma que o conhecimento científico possa também ser socializado para além da academia. Desenvolvimento: A Pesquisa CAMPESF – Fiocruz Ceará propõe analisar a relação entre campo, escopo de práticas profissionais e colaboração interprofissional na ESF do Ceará, caracterizar as práticas necessárias às equipes de referência para abordar os principais problemas de saúde do território e ampliar o acesso da população à atenção em saúde. A disseminação dos achados da pesquisa está acontecendo por meio da publicação de artigos, dissertações de mestrado, resumo executivo, sinopse, trabalhos de conclusão de residência multiprofissional, jornais, revistas, páginas na internet, seminários, simpósios, vídeos, entre outras iniciativas.  A construção de lâminas para a internetTV da Fiocruz foi um dos primeiros produtos técnicos de comunicação com o objetivo de socializar os resultados para um público mais amplo. A internetTV é o canal institucional que exibe conteúdo jornalístico exclusivo da Fiocruz nos campi do Rio de Janeiro e de todas as unidades regionais. O canal veicula notícias e campanhas de saúde, em formato atraente e objetivo. Na produção do trabalho foram analisados relatórios da pesquisa e dissertações de Mestrado oriundas da pesquisa CAMPESF e também foram realizadas entrevistas com integrantes das EqSF. O segundo momento, articulado junto aos quatro municípios onde aconteceram a pesquisa, acompanhou o cotidiano de trabalho das Equipes de Saúde da Família por meio da fotografia. As imagens estão reunidas na Exposição Fotográfica: Estratégia Saúde da Família: em busca da Integralidade. São fotografias e poesias que retratam o cuidado implementado pelas EqSF do Ceará. Territórios, práticas, cenários, encontros e o cotidiano da arte de cuidar. O registro fotográfico evidenciou situações que merecem ser fortalecidas nas ESF pelo país. A sensibilidade fotográfica foi constituída pelo cotidiano real de trabalho e o olhar da fotógrafa foi enriquecido pela poesia. Poetas e poetisas cearenses foram convidados para compor ou sugerir poemas já publicados para apresentação das imagens e sua relação com a Pesquisa CAMPESF. A exposição foi constituída por 35 fotografias e nove poemas (5 originais). A disseminação científica também foi expressada no formato de desenhos, seguindo esse mesmo propósito. A exposição “Agentes Comunitários de Saúde: a Integralidade itinerante”, de autoria da artista plástica Maria Eliene Magalhães, que também é agente comunitária de saúde, objetiva a sensibilização de gestores, trabalhadores e usuários para a qualificação da formação e do trabalho dos agentes comunitários de saúde. A construção desses canais de comunicação articulou pesquisadores, gestores, profissionais de saúde e usuários do SUS com o intuito de traduzir a linguagem acadêmica para diversos públicos. Está em construção um site vinculado ao PMA e ancorado no Portal da Fiocruz, onde serão publicados os achados da pesquisa em diferentes formatos. O espaço também abrigará a exposição fotográfica virtual e a de desenhos. A Pesquisa CAMPESF está produzindo ainda SmartVídeos para o Curso Técnico dos Agentes Comunitários de Saúde. As competências a serem desenvolvidas no CTACS serão comentadas por experts em Saúde da Família, que farão relatos de experiências no contexto da competência a ser desenvolvida e lançarão uma questão problematizadora para os educandos do processo formativo. Também foi confeccionado um resumo executivo da Pesquisa CAMPESF, que traz uma síntese contendo as principais informações e resultados da Pesquisa CAMPESF, produzida na forma de livreto, com 28 páginas e que já teve mais de três mil cópias distribuídas a gestores e profissionais da Atenção Básica, durante diversos eventos. Há ainda a produção de uma versão com os principais achados da Pesquisa CAMPESF, em modelo Sinopse, a ser incluída em material de divulgação do PMA-Fiocruz (ARCA FIOCRUZ). As exposições fotográfica e de desenho estão circulando vários espaços de conhecimento e do próprio serviço, por meio de congressos, seminários e também eventos realizados nas unidades básicas de saúde, como é o caso da UBS Frei Tito, em Fortaleza. As exposições foram lançadas durante a Feira de Soluções para a Saúde da Fiocruz, realizada em outubro de 2019, no Centro de Eventos do Ceará e ainda na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia da Fiocruz, que aconteceu também em outubro na sede da Fiocruz Ceará. Resultado: A disseminação do conhecimento obtido com os resultados da pesquisa vem utilizando diferentes canais. Na área acadêmica, a publicação de artigos, dissertações de Mestrado, realização de seminários. Na comunicação ampliada, as exposições fotográfica e de desenhos, produção de peças de internetTV, site, vídeos e notícias. Considerações finais: A experiência de produzir um material acessível para legitimação da ciência com responsabilidade social; a academia como espaço de fomento de conversação entre múltiplos segmentos da sociedade. Isso significa o ato de traduzir os achados da pesquisa para a multiplicidade de públicos envolvidos no processo de produção de saberes. Porém, ainda é uma prática pontual. A formação de pesquisadores na academia não se debruça sobre a disseminação de conhecimentos para os atores envolvidos na pesquisa e a sociedade em geral, sendo necessário incentivá-la.

9867 A PERCEPÇÃO DO ENFERMEIRO SOBRE O CUIDADO À PESSOA COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA NA ATENÇÃO BÁSICA
Anna Keylla da Silva dos Santos, Emanuele Menezes, Lucas Portella Silva Santos, Magda Guimarães de Araujo Faria, Paula Soares Brandão, Laylla Ribeiro Macedo, Ramon Monteiro Fernandes, Talita Gomes

A PERCEPÇÃO DO ENFERMEIRO SOBRE O CUIDADO À PESSOA COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA NA ATENÇÃO BÁSICA

Autores: Anna Keylla da Silva dos Santos, Emanuele Menezes, Lucas Portella Silva Santos, Magda Guimarães de Araujo Faria, Paula Soares Brandão, Laylla Ribeiro Macedo, Ramon Monteiro Fernandes, Talita Gomes

Apresentação: Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi declarado por 45,6 milhões de brasileiros o acometimento de pelo menos um tipo de deficiência, o que corresponde a 23,9% da população total. A deficiência visual foi a mais apontada, atingindo 18,8% da população, seguida pelas deficiências motoras (7%), auditiva (5,1%) e mental ou intelectual (1,4%). Estudos apontam que o deficiente auditivo é quem se defronta com maior dificuldade de inclusão social, visto que a audição é um sentido fundamental para obtenção e uso da linguagem, interferindo pontualmente no acesso às informações por meio oral. O presente trabalho visa se aproximar da hipótese de que o enfermeiro residente e egresso da Residência em Estratégia de Saúde da Família (ESF) não se sente apto para cuidar de pessoas com deficiência auditiva e de trazer evidências que, estabelecer e manter a comunicação com estes indivíduos representa um grande desafio para os profissionais da saúde, pois o atendimento adequado de pessoas com deficiências é essencial para se alcançar a qualidade dos serviços de saúde, enquanto a falta de comunicação impede o atendimento humanizado. Assim sendo, o presente trabalho se justifica na necessidade de identificar a aptidão dos enfermeiros da ESF na prestação de cuidados à saúde desta população específica. Nesse âmbito, enfatiza-se que o enfermeiro precisa inserir-se, ativamente, na equipe de reabilitação, desenvolvendo educação em saúde, para ajudar na reabilitação e no autocuidado, desenvolvendo consciência transitiva crítica para facilitar a inclusão social. Sobretudo, tem-se como benefício o destaque da necessidade de eficiência no processo de comunicação entre enfermeiro, paciente e família para viabilizar uma assistência humanística e personalizada de acordo com as necessidades da pessoa atendida. Este trabalho objetiva avaliar a autopercepção de enfermeiros da Residência em Saúde da Família no cuidado às pessoas com deficiência auditiva, além de verificar a visão dos enfermeiros da Residência em ESF sobre as condições de atendimento da Unidade Básica de Saúde (UBS) às pessoas com deficiência auditiva. Desenvolvimento: Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, e quantitativo. A população foi de 53 indivíduos entre egressos e alunos do segundo ano do Curso de Especialização em Enfermagem em Saúde da Família na Modalidade Residência, sendo alcançada uma amostra de 37 indivíduos, ou seja, 70% do público alvo selecionado para o estudo. Os dados foram coletados no ano de 2018. Resultado: Este estudo teve como propósito avaliar a autopercepção de enfermeiros residentes e egressos da residência em saúde da família no cuidado às pessoas com deficiência auditiva e especificamente identificar as estratégias utilizadas por estes enfermeiros para a qualificação do cuidado à pessoa com deficiência auditiva. Houve predomínio de profissionais do sexo feminino, oriundas de universidade pública, com tempo de formação de 3 a 5 anos e 11 meses e que não concluíram outra especialização além da ESF, que predominantemente já atenderam algum paciente com deficiência auditiva. Observou-se que 62,16% dos participantes já atenderam algum paciente com deficiência auditiva em sua unidade. 92% percebem que a assistência à pessoa com deficiência auditiva oferecida pela UBS não se dá de forma efetiva e apenas 11% relatam a existência de recursos que garantam a equidade no atendimento. 27% dos participantes não se sentem aptos para prestar assistência a este público. Todos os participantes percebem a necessidade de uma qualificação do cuidado à pessoa com deficiência auditiva, e de acordo com os participantes da pesquisa, a estratégia que seria mais adequada para melhoria no atendimento à pessoa com deficiência que foi mais citada pelos participantes foi a incorporação de conteúdos  referentes ao tema na graduação (44%). Estudos corroboram que assim como a percepção dos egressos e residentes da residência foi descrita referente às UBS em que eles atuam como enfermeiros, existem muitas barreiras no atendimento aos pacientes surdos e, mesmo que o encontro seja temporário, torna-se um desafio para os profissionais da área da saúde a comunicação com esses indivíduos. O estudo pode nos mostrar que a assistência a pessoa com deficiência auditiva não se dá de forma efetiva, alinhando-se a falta de capacitação profissional e ausência de capacitação acerca da Língua de Sinais. Sabe-se que a Língua de Sinais é uma ferramenta decisiva na elaboração das formações discursivas dos surdos e a compreensão do seu discurso pelos profissionais da área de saúde propicia maior entendimento da constituição da identidade dos surdos, ponto fundamental para melhor qualidade dos serviços prestados. Contudo, observa-se que as UBS dos participantes não reconhecem a situação de saúde de pessoas com deficiência auditiva e que não há atividades de promoção que assegurem a inclusão desta população, salientando a dificuldade de acesso adequado para estas pessoas. Favorecendo para este déficit, verifica-se que não existe algum guia ou manual para o atendimento ao paciente com deficiência auditiva nas Unidades Básicas. Considerações finais: Diante dos resultados pode-se identificar que as barreiras que atrapalham o atendimento às pessoas com deficiência nas UBS são preocupantes, pois grande parte dos participantes observou que a UBS não possui acesso e meios para atender e promover a saúde em sua totalidade, sem que prejudicasse o processo de cuidar. Além do não reconhecimento e déficit de conscientização dos enfermeiros das Unidades Básica de Saúde acerca das necessidades desta população, não realizando atividades de promoção à saúde que assegurem a inclusão. Através do estudo presente, foi possível identificar que os profissionais enfermeiros percebem que a assistência à pessoa com deficiência auditiva não é eficiente, evidenciando, principalmente, a falta de capacitação profissional e falta de recursos humanos e materiais. O atual estudo evidenciou que o deficiente auditivo, ao chegar a uma unidade de saúde, se depara com a falta de conhecimento da linguagem Libras por parte dos funcionários e a não existência de intérpretes no local, fazendo com que se sinta excluído, prejudicando seu acolhimento e sua assistência.  É urgente a necessidade de se pensar em formas de qualificação dos profissionais de saúde para a garantia da assistência a todos os cidadãos e em toda a rede de serviços do SUS, sobretudo, daqueles que por questões físicas ou psíquicas possuem condições que requeiram práticas ou estratégias diferenciadas de cuidado.

9881 IMPLANTAÇÃO DO CUIDADO À SAÚDE DA POPULAÇÃO CARCERÁRIA EM UM MUNICIPIO DA BAIXADA FLUMINENSE-RJ
RITA DE CASSIA E SILVA RIBEIRO, Carolina Feitoza da Silva Ramos, Thiago Wendel Gonzaga da Silva, Luana Lara Rodrigues Caetano

IMPLANTAÇÃO DO CUIDADO À SAÚDE DA POPULAÇÃO CARCERÁRIA EM UM MUNICIPIO DA BAIXADA FLUMINENSE-RJ

Autores: RITA DE CASSIA E SILVA RIBEIRO, Carolina Feitoza da Silva Ramos, Thiago Wendel Gonzaga da Silva, Luana Lara Rodrigues Caetano

Apresentação: O presente trabalho apresenta o processo deimplantação do cuidado à população privada de liberdade e seus familiares, ocorrido no município de Mesquita no ano de 2019. O objetivo é descrever asações e serviços desenvolvidos em um fórum entre os horários da audiência, de acordo com os agravos mais comuns, para promover saúde. Desenvolvimento: Trata-se de um relato de experiência de profissionaisde enfermagem que estão vinculados à uma Clínica da Família do município deMesquita sobre o cuidado integral ao indivíduo que teve sua liberdade retiradae de sua família. O aspecto sociodemográfico da população prisionaldemonstra as desigualdades da sociedade brasileira. A Lei nº 7.210/84estabelece a Execução Penal no Brasil, onde o objetivo é concretizar asdisposições de sentença ou decisão criminal e promover condições para aharmônica (re)integração social do condenado e do internado. O primeirocontato é feito no próprio fórum onde ocorre a realização da coleta de dados, avaliação de saúde, imunização e orientações relacionadas à saúde, é extremaimportância uma comunicação adequada para estreitar vínculos. Após sãofeitas as visitas domiciliares aos familiares, cujo é feito o acolhimento erealizado os encaminhamentos necessários, a fim de um cuidado integral. Resultado: De abril a novembro de 2019, o número de indivíduosassistidos foi de 148 e de 81 famílias visitadas em domicílio. Com os encontrosfoi possível atualizar a situação vacinal e identificar sintomáticos de doençasinfectocontagiosas, e assim em caso de liberdade é continuado oacompanhamento com a equipe de referência e apoio pelo Núcleo deAtendimento de Medidas (NAM) do município de Mesquita. CONSIDERAÇÕESFINAIS: Concluiu-se que as pessoas privadas de liberdade, qualquer que sejaa natureza de sua transgressão, mantem todos os direitos fundamentais, incluindo o acesso a ações e serviços de saúde física e mental. A minimizaçãodas diferenças entre a vida intramuros e a extramuros é fundamental para aredução das iniquidades e a universalização do acesso à saúde.

9887 O SETOR DE PORTA DE ENTRADA E A CLASSIFICAÇÃO DE RISCO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS).
Cristiane Alves Montenegro Rodrigues, ESTElA Verônica Rodrigues Rodrigues, Cristiane Alves Montenegro Ramos DE PAULA, Cristiane Alves Montenegro Roberto COSTA

O SETOR DE PORTA DE ENTRADA E A CLASSIFICAÇÃO DE RISCO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS).

Autores: Cristiane Alves Montenegro Rodrigues, ESTElA Verônica Rodrigues Rodrigues, Cristiane Alves Montenegro Ramos DE PAULA, Cristiane Alves Montenegro Roberto COSTA

Apresentação: Esse trabalho teve por objetivo ações de intervenção ao que tange à classificação de risco nas Portas de Entrada das Emergências das Unidades de saúde da rede Municipal de Magé, Estado do Rio de Janeiro. Neles, foram relatadas as demandas dos profissionais de Enfermagem que atuam nesta área, o desgaste psicológico do profissional, os problemas e os conflitos, que são parte integrante na atuação daqueles que estão na linha de frente do atendimento à população. Objetivo Especifico: Instrumentalizar o profissional, através de aulas teóricas e teórico-práticas, para que possa realizar um atendimento dinâmico, com embasamento técnico-científico, estabelecendo raciocínio clínico pertinente e condutas terapêuticas apropriadas; Conhecer as dificuldades enfrentadas pelos Enfermeiros no processo da classificação de risco, enfocados nos periódicos científicos dos últimos cinco anos; Necessidade de avanço na capacitação e reflexão contínua, de forma a aprimorar e incentivar a padronização de condutas dos profissionais enfermeiros e planejamento nas ações que visem ao aumento da satisfação de ambas as partes; Promover atualização profissional, para aqueles que atuam junto aos pacientes que procuram atendimento em hospitais, com classificação de risco. Resultado: esperados: Otimização nos serviços prestados pelos profissionais da área de acolhimento, buscando uma melhor compreensão do paciente e seu complexo, através da observação, de exames físicos e escuta ativa; Maior acolhimento por parte dos profissionais envolvidos, através do cuidado humanizado; Orientar esses profissionais, de modo que o acolhimento ao paciente auxilie a entender melhor a qual Unidade de Saúde e/ou serviços devem procurar, de acordo com a sua urgência e necessidade. Abrangência: A área de execução foram as Unidades de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Magé, no Estado do Rio de Janeiro. Método: Estudo de caso in loco da atuação dos profissionais nestes espaços, através de visitação nas Unidades pela equipe designada para a intervenção pela secretaria Municipal de Magé; Capacitações profissionais, por meio de materiais e conteúdos teóricos e práticos (apostilas, equipamentos audiovisuais disponíveis etc.); Discussões de casos inerentes às situações cotidianas vividas no ambiente de trabalho; Dinâmicas de grupo, para exercitar escuta ativa entre os profissionais, com discussão posterior dos resultados; Auto avaliação da atuação em campo por parte destes profissionais; Rodas de conversas, Avaliação do aprendizado com base na política de educação permanente; Considerações finais: O presente trabalho teve como objeto a Classificação de Risco nas Unidades Municipais de Magé, Estado do Rio de Janeiro. Para tal, foram feitas visitas técnicas para conhecimento das equipes que trabalham nos setores de Urgência e Emergência destas Unidades e, assim, verificar se estas estão atualizadas no que tange aos procedimentos de classificação, bem como,  estas se sentem no seu ambiente de trabalho. Foram realizados treinamentos para auxiliar na capacitação e atualização dos procedimentos na sua área, com constantes avaliações dos resultados, visando o melhor aprimoramento destes profissionais. Os profissionais da saúde devem assumir a função de promoção de saúde através da responsabilização como agentes modificações das condições de saúde do espaço em que estão inseridos. Dessa forma, capacita-se futuros profissionais capazes de compreender e auxiliar na consolidação dos Direitos em Saúde da População. Tais medidas visam contribuir para um melhor atendimento da população que procura o serviço nas Portas de Entrada dessas Instituições de Saúde, bem como fortalecer as relações entre os profissionais da área e os pacientes tão carentes de cuidados nas áreas onde são oferecidos os serviços do SUS.

9889 CONCEPÇÕES DE SAÚDE DE UMA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA DO ENTORNO DA UERJ
Tiago Braga do Espirito Santo, Letícia Parente Gonçalves, Natália Estefânia Gaze Teixeira, Clarissa Terenzi Seixas

CONCEPÇÕES DE SAÚDE DE UMA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA DO ENTORNO DA UERJ

Autores: Tiago Braga do Espirito Santo, Letícia Parente Gonçalves, Natália Estefânia Gaze Teixeira, Clarissa Terenzi Seixas

Apresentação: O presente estudo é desdobramento do Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), intitulado “População em Situação de Rua e suas trajetórias e concepções de saúde: a perspectiva dos sujeitos do entorno da UERJ”. O interesse em olhar para essa população vulnerável e dar-lhes voz, surgiu da percepção empírica acerca do aumento do quantitativo de pessoas em situação de rua no referido território. Como justificativa, foram encontradas 5 notícias, de 2017 a 2019, que abordavam esse grupo populacional do território, corroborando o constatado empiricamente. A delimitação aqui apresentada tem como objeto: as concepções de saúde da População em Situação de Rua (PSR) do entorno da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Os objetivos estabelecidos foram: identificar e discutir as concepções de saúde da PSR em questão. O estudo tem abordagem qualitativa, com caráter descritivo, empregando o método cartográfico. A pesquisa foi realizada no entorno da UERJ e as fontes de informação foram as pessoas que se encontravam em situação de rua no local. Para tanto, utilizou-se os seguintes critérios de inclusão: pessoas em situação de rua com mais de 18 anos, ainda que se dividissem entre uma casa, abrigo e/ou rua, que aceitaram participar do estudo e estavam em condições de responder aos questionamentos. Os critérios éticos da Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012, foram respeitados, sendo disponibilizado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para os entrevistados. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UERJ (COEP). Utilizou-se a entrevista semiestruturada e o diário de campo para a coleta de dados por entender que esses métodos eram mais consistentes para obtenção das informações desejadas, visto que disponibiliza coletar falas e percepções mais amplas. A coleta de dados ocorreu entre janeiro e abril de 2019, totalizando 13 entrevistas. A inserção no campo se deu por meio da ida das pesquisadoras a um grupo de trabalho com Pessoas em Situação de Rua da Área Programática 2.2. A aproximação às pessoas ocorreu àquelas que estavam sentadas em algum espaço público, com seus pertences juntos, ainda que estivessem realizando alguma atividade. A análise dos dados coletados se deu por meio do método da análise de conteúdo. O perfil encontrado será melhor apresentado em outros estudos em desenvolvimento. Contudo, para o momento, pode-se afirmar a constituição, da maioria, serem homens negros, entre 25 e 34 anos, fiéis em algo divino, inseridos informalmente no mundo do trabalho, não portadores de seus documentos e em situação de rua entre 10 a 20 anos. A análise do perfil também destaca a desigualdade social em grande escala, demonstrando que afeta, prioritariamente, essa população. A análise do conteúdo das narrativas resultou em  seis categorias que se agruparam em consonância com os objetivos definidos no estudo, a saber: “Barreiras à produção de saúde”; “Acesso à rede de atenção à saúde”; “Saúde como processo psicossocial”; “Saúde como processo biológico”; “História da doença/agravo no contexto de rua”; e “Possibilidades descobertas no território - Rede Viva”. A categoria “Barreiras à produção de saúde” surgiu das falas referentes às insatisfações com os serviços de assistência social e saúde, dificuldades para acesso ou acesso negado, e, ainda, vivências violentas nas ruas e instituições, explicitando a falha nos direitos de acesso dessa população aos serviços e a violação dos direitos humanos. A categoria “Acesso à rede de atenção à saúde” trouxe questões acerca da efetivação do acesso aos serviços de saúde e tratamentos necessários nas suas trajetórias na rua. A categoria “Saúde como processo psicossocial” engloba os determinantes de saúde presentes no conceito ampliado de saúde que foram trazidos pelos entrevistados. Destacam-se, com maior evidência, moradia e afeto. Para além destes, as narrativas reforçam que a saúde é uma rede complexa para cada indivíduo. A categoria “Saúde como processo biológico” apresentou a alimentação como o fator que mais contribui na saúde do indivíduo que está em situação de rua, seguido por tratamento das doenças/agravos, levando ao entendimento de que um corpo saudável é saúde para essa população.  A categoria “História da doença/agravo no contexto de rua” agrupou os acidentes, acometimentos na saúde, insignificância dos serviços de saúde e agressão física, compreendendo que as falas estão relacionadas à área programática onde essas pessoas estão e a ausência de uma Equipe de Consultório na Rua. A categoria “Possibilidades descobertas no território - Rede Viva” apontou as potencialidades acessadas no território em prol de suas necessidades, entendendo que a circulação por esse é um campo de produção de vida, com seus atores e instituições que se relacionam entre si. A partir da discussão realizada identifica-se a necessidade da realização de um novo Censo não para identificar o perfil da PSR, mas para compreendê-los em seus desejos e afetos no intuito de melhor produzir cuidados no território a partir de suas formas de existir. Evidencia-se também a dificuldade dos serviços não específicos, em atender essa população, bem como, a necessidade de um serviço específico para a área (Consultório na Rua). A defasagem na Atenção Básica foi um ponto relevante, assim como a urgência em realizar mais ações com essa população e capacitar os profissionais para compreender a complexidade da PSR, promovendo a reformulação das estratégias de abordagem e cuidado. Por fim, observou-se que ainda precisa ser alcançado a efetivação das legislações existentes, que a PSR compreende a saúde com seus diversos determinantes e condicionantes, que são inúmeras as dificuldades encontradas no contexto da rua, mas que, também, há a possibilidade de se criar Redes Vivas como potencialidade no modo de viver na rua. Os resultados do estudo colaboram para a compreensão de como a percepção e trajetória na saúde interferem no debate sobre o conceito ampliado de saúde, na relação com a legislação vigente para a PSR e no conceito de acesso atrelado a produção de barreira. Da mesma forma, auxilia o pensamento para a organização dos processos de trabalho dos serviços de saúde que, de acordo com as bibliografias utilizadas, manifestam-se como barreiras para essa população vivenciar saúde. Os dados dão suporte, também, para elaboração de estratégias de aproximação à PSR e reafirmam a necessidade da inclusão do tema como área relevante para a formação da enfermagem. Buscou-se assim, desmistificar a visão sobre a PSR, respeitando a escolha dos indivíduos sobre sua maneira de estar no mundo, além de dar voz àqueles que se encontram nessa situação para compreender mais fielmente o modo de viver na rua e suas dinâmicas.

9891 REGISTROS NOTICIOSOS ACERCA DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA DA REGIÃO AO REDOR DA UERJ – MARACANÃ
Letícia Parente, Letícia Parente Gonçalves, Natalia Estefania Gaze Teixeira, Clarissa Terenzi Seixas

REGISTROS NOTICIOSOS ACERCA DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA DA REGIÃO AO REDOR DA UERJ – MARACANÃ

Autores: Letícia Parente, Letícia Parente Gonçalves, Natalia Estefania Gaze Teixeira, Clarissa Terenzi Seixas

Apresentação: O presente estudo é desdobramento do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), intitulado “População em Situação de Rua e suas trajetórias e concepções de saúde: a perspectiva dos sujeitos do entorno da UERJ”. O incômodo para a investigação do TCC surgiu da percepção das pesquisadoras, durante os quatro anos de graduação, acerca do aumento no quantitativo de pessoas em situação de rua do entorno da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A área estudada possui, atualmente, uma significativa cena de uso, conhecida como “Metrozinho” pelos trabalhadores dos dispositivos do local. Com o intuito de coletar outras fontes de informação sobre o episódio, define-se como objeto de estudo: a investigação dos registros noticiosos publicados em periódicos, impressos e virtuais, acerca do aumento do quantitativo de População em Situação de Rua (PSR) no entorno da UERJ, nos últimos quatro anos. Nessa direção, opta-se pelos registros noticiosos como fonte de informação, com o intuito não apenas de verificar a pertinência da referida percepção, mas também como as notícias produzem verdades acerca da PSR. Desta forma, os objetivos estabelecidos foram: verificar a existência de registros noticiosos referentes ao aumento da População em Situação de Rua no entorno da UERJ; identificar, no discurso dos referidos registros, o conteúdo acerca da População em Situação de Rua do entorno da UERJ – Maracanã; analisar e discutir as fontes à luz dos Padrões de Manipulação da Grande Imprensa de Perseu Abramo. A metodologia utilizada foi o estudo exploratório com abordagem qualitativa, que utiliza um conjunto de significados entendidos como parte da realidade social. A coleta e análise dos dados se embasam nos princípios teórico-metodológicos da História Social, abordando a Micro-História, por possibilitar a reconstrução de itinerários e relações sociais a partir de um recorte da realidade objetiva. Para a coleta de dados empregou-se o recurso de busca pela internet, utilizando termos, identificados em estudos realizados, que vêm sendo associados à PSR, a saber: trecheiros, moradores de rua, mendigos, sofredores de rua e População em Situação de Rua. O critério de inclusão adotado foi: reportagens que tratavam sobre a PSR no entorno da UERJ - Maracanã, no município do Rio de Janeiro e o aumento no seu quantitativo. A análise dos dados ocorreu através da análise de conteúdo em que, para tal, os registros noticiosos encontrados foram minuciosamente estudados para que se extraíssem todas as mensagens apresentadas pela mídia relacionadas à População em Situação de Rua. Os resultados encontrados foram cinco reportagens, publicadas entre os dias 04 de julho de 2017 a 04 de fevereiro de 2019, com as manchetes a seguir: “Comunidade de moradores de rua se forma perto da UERJ e do Maracanã” (O GLOBO, 2017); “Prefeitura do Rio fará novo levantamento de moradores de rua após número triplicar” (O GLOBO, 2018); “Moradores estão assustados com o crescimento de cracolândia no Maracanã” (O DIA, 2018); “Quatro anos após Copa do Mundo, região do Maracanã sofre com irregularidades, usuários de drogas e aumento da violência” (O GLOBO, 2018); e “Cracolândia da UERJ cresce e toma canteiros e calçadas do Maracanã” (O GLOBO, 2019). Após a realização da leitura escrutinada e análise dos conteúdos apresentados pelas reportagens, os resultados encontrados foram divididos em quatro categorias, estas, por sua vez, organizadas de acordo com o quantitativo de trechos e palavras relacionados a PSR. As categorias foram: “nomenclatura para pessoas em uso de substâncias psicoativas”; “nomenclatura para a População em Situação de Rua”; “violência na região”; e “características da População em Situação de Rua”. A primeira categoria, “nomenclatura para pessoas em uso de substância psicoativas”, apresentou como a palavra mais utilizada nos registros noticiosos “cracolândia”, aparecendo 10 vezes no total. Outras nomenclaturas que apareceram foram “usuário de drogas”, “dependentes químicos”, “usuários” e “viciados”. Na categoria “nomenclatura para a População em Situação de Rua” o termo mais utilizado foi “moradores de rua”, porém, também apareceram: “pessoas em situação de rua”, “comunidade de moradores de rua”; “cidadão que está na rua” e “população em situação de rua”. Na terceira categoria, “violência na região”, o termo mais encontrado foi “assalto”, aparecendo quatro vezes, seguido por “aumento da criminalidade”; “assaltos com faca”; e trechos de entrevistados como: “[...] não vim com cordão de ouro, aliança, porque as pessoas passam puxando.”; e “[...] roubam os celulares dos estudantes para trocá-los por drogas”. Na última categoria, “características da População em Situação de Rua”, aparecem termos como: “usam entorpecentes”; “pessoas suspeitas”; “pessoas que usam drogas em meio a muita sujeira”; “população atendida pelos abrigos”; “[...] profunda relação do grupo com o uso de Crack”. A busca pelos periódicos auxiliou na verificação do aumento no quantitativo de pessoas em situação de rua, percebido empiricamente pelas autoras, além de apontar para forma parcial que a mídia relata a população que está em situação de rua e as pessoas que fazem uso de drogas. Destacam-se nos registros noticiosos a utilização de relatos emotivos da população moradora da região e termos pejorativos, associando a PSR ao aumento da violência e ao uso de substância no local. A análise à luz dos Padrões de Manipulação da Grande Imprensa conclui que a escrita midiática acerca da PSR é conduzida a um grupo de leitores de modo a induzi-los a uma determinada interpretação da realidade objetiva. Destarte, a verdade produzida captura o leitor para o entendimento preconceituoso que reafirma estereótipos sócio-historicamente produzidos. Como problemática, nenhuma das reportagens sugerem soluções para as questões que geram estas desigualdades sociais, e nem, tampouco dá direito ao contraditório a partir da fala da População em Situação de Rua que ali está vivendo. Diante do exposto, ficou explícito que os periódicos encontrados produzem uma verdade por meio das técnicas de manipulação midiática, caracterizando um desserviço à informação, pois induz a relação das pessoas que estão em situação de rua com a violência e o uso de substâncias psicoativas. Essa população enfrenta muitas adversidades no contexto da rua, como a dificuldade para encontrar alimentos e locais seguros para dormir, além do preconceito e exclusão social praticados pela sociedade que os desumaniza. É necessário empreender esforços para ao entendimento da população acerca das dificuldades enfrentadas por este grupo devido ao seu modo de viver na rua. E da complexidade de motivos que os levam a estar nessa situação, mesmo que sejam parte de uma escolha do indivíduo que deve ter sua autonomia respeitada. Sendo assim, a mídia tem papel importante nesse processo e precisa assumir um compromisso com a sociedade e com a verdade sobre os conteúdos expostos em suas matérias, para, a partir daí, ser possível levar à população informações pertinentes sobre a PSR, o que conduzirá a redução dos preconceitos e exclusões sociais vividas por quem se encontra nessa situação.

9899 A ENTREGA DO PASSE LIVRE INTERMUNICIPAL DO ESTADO DO PARÁ NA URE REDUTO: ENTRE O ACESSO E O DIREITO, UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Manoela Nascimento Andrade, Barbara Pereira Brito

A ENTREGA DO PASSE LIVRE INTERMUNICIPAL DO ESTADO DO PARÁ NA URE REDUTO: ENTRE O ACESSO E O DIREITO, UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Manoela Nascimento Andrade, Barbara Pereira Brito

Apresentação: O transporte urbano é um instrumento importante para garantir a pessoa com deficiência os mais amplos acessos aos seus direitos sociais, garantido também o convivo social. Ao solicitar a carteira de gratuidade do Passe Livre Intermunicipal é garantido aos usuários os direitos fundamentais e proporcionar os serviços essenciais básicos ofertados pela cidade, como a mobilidade. O direito a mobilidade pode levar a redução das desigualdades sociais e que as pessoas com deficiência possam acessa os seus direitos garantidos por lei. Pois esse o direito de mobilidade é fruto da luta de classe que foi ocasionado ao longo do processo de urbanização. O sistema de transporte urbano foi influenciado pelo processo de urbanização desorganizada no país, resultado da industrialização por transferência das importações agravadas pelos governos autoritários pós 1964. Mas é através da crise do petróleo em 1973, que o governo federal elaborou o primeiro documento sobre o transporte público. Porem a importância de o transporte público só ser deu através das manifestações contra as péssimas qualidades dos transportes de 1974 e 1982. Com a constituição federal de 1988 foi demandado a organização e prestação dos transportes coletivos exclusivamente para os municípios, representando uma vitória e avanço social conquistado através das manifestações e luta pela reforma urbana de 1980. Mas as altas taxas do transporte tanto municipal, intermunicipal e interestadual, interferem na mobilidade dos mais pobres, consequentemente ao acesso dos seus direitos básicos, como: saúde, educação, lazer e entre outros que garante a plena cidadania. Neste sentido, é importante pensar na pobreza, não a pobreza relacionada a renda, dinheiro, mas relacionado ao impedimento ao acesso aos direitos sociais básicos, que impede o sujeito de usufruir suas necessidades básicas. Como afirma, Torquanto e Santos (2004, p. 4) “se não há mobilidade, não há acesso a saúde, a educação, e ao trabalho. Sem trabalho, não se pode obter uma moradia digna, o que pressupõe a insalubridade que é prejudicial à saúde”. A relação do transporte com a pobreza pode ser caracterizada diretamente e indiretamente, principalmente aos sujeitos com deficiência que necessitam do direito a mobilidade para ter acesso a cidade, consequentemente aos seus direitos. A não garantia dessa mobilidade nas cidades provoca uma segregação espacial, que compõe a noção de exclusão social, impedimento ao acesso aos direitos sociais. Para as pessoas com deficiência o acesso aos transportes é ainda mais complicado, devido à falta de acessibilidade aos equipamentos no transporte. Neste contexto é indispensável as barras ainda existentes nos espaços e transportes urbanos, a falta de inclusão dessas pessoas é uma realidade aparentemente distante aos olhos cotidianos que vivem na diariamente essas limitações. As pessoas com deficiência que utilizam o transporte público urbano são aquelas advindas das classes empobrecidas que dependem da política de gratuidade dos transportes. Objetivo: apresentar os fatores ocasionados na vida dos usuários da Unidade de Referencia Especializada – URE Reduto pelo atraso da entrega do Passe Fácil Intermunicipal no município de Belém do Pará. Específicos: identificar as causas do atraso da entregada do Passe Fácil e os prejuízos ocasionado pela ausência dele na vida dos usuários. Método: a pesquisa é qualitativa e quantitativa, observação participante e documental. Resultado: O campo da pesquisa foi na Unidade de Referencia Especializada – URE Reduto, durante o período do estágio curricular obrigatório, de outubro até janeiro de 2020, localizado no município de Belém do Pará. A pesquisa foi realizada com pessoas com deficiência, usuárias do Passe Livre Intermunicipal do Estado do Pará. O universo da entrevista foi composto por 900 usuários entre que já possuíam a carteira e os que não possuíam ainda mais buscava a Unidade para da entrada. A partir deste universo, foram selecionados para amostra as pessoas que buscavam a revalidação da carteira de gratuidade do PL, pelo fato de já possuírem a experiência da utilização nos transportes intermunicipais. Do total foram estabelecidas 200 pessoas com deficiência. Foram entrevistados 200 pessoas com deficiência, dentre elas: 114 homens e 86 mulheres com idades de 30 a 63 anos. Para a identificação dos entrevistados foram utilizados nomes fictícios, para tomar sigiloso os seus verdadeiros nomes. Foi realizado uma entrevista semiestruturada com os participantes, coletados dados sobre sua identificação, composição de família, realidade econômica, condição da deficiência, quantos dias sem receber o Passe livre e as dificuldades ocasionadas sem ele. Sobre o perfil dos entrevistados sua maioria ser identificou com a cor parda e negro, na qual era visivelmente esta declaração racial. No que refere se a composição familiar, todos eram casados e casadas. A realidade econômica dessas famílias era bastante parecida, todos os e as entrevistas tinha sua fonte de renda advinda de aposentadoria ou algum benefício social, sendo a única forma de renda para o sustento familiar. Somente 10 mulheres afirmaram ser autônomas, trabalha na roça, para sustenta a família. No que se refere as deficiências dos sujeitos da pesquisa, 43 são pessoas com deficiência desde o nascimento, sendo 6 pessoas com deficiência visual, 37 são deficientes físicos e 157 pessoas se tornaram pessoas com deficiência na fase adulta da vida, o principal responsável por isso, foi o trabalho preconizado (as maiorias adquiriram insuficiência renal crônica). E sobre as dificuldades enfrentadas pelo atraso em recebe o Passe Livre, a maioria relata que fica impossibilitado de viaja para o município de Belém para justamente da continuidade no seu tratamento de saúde, fica sem toma os remédios a meses, porque a renda de um salário mínimo é insuficiente para paga sempre a passagem que varia de municípios para município como por exemplo, quem vem de Breve município do Estado Para precisa paga um valor de 47,00 reais. Fica inviável paga este valor durante 3 vezes na semana para quem faz Hemódiase. A maioria dos entrevistados relataram que está quase 2 anos sem receber carteira, o prazo dado pela Arcon é de 90 dias, porem a mesma comunica que os atrasos são devidos a confecções das carteiras para combater a fraude. É possível perceber através do Perfil e da entrevista que essas pessoas buscam o direito à gratuidade através do Passe Livre Intermunicipal, no estado do Pará, se encontram nas classes empobrecidas, majoritariamente negra, que tem renda familiar per capita menos que um salário mínimo, que com o atraso da entregada das carteiras, o Estado violar os direitos básicos garantidos na constituição federal, como a saúde, o lazer, a mobilidade, o trabalho entre outros. Considerações finais: O direito de gratuidade nos transportes intermunicipais através do Passe Livre Intermunicipal do Estado do Pará visa possibilitar a locomoção das pessoas com deficiência que se encontram nas classes empobrecidas, contribuindo com a conquista da cidadania. Neste contexto, o acesso ao transporte é imprescindível para acesso das pessoas com deficiência aos serviços oferecidos pela cidade. Do decorrer da pesquisa foi possível demonstrar a conquista da luta de classe para ter acesso a mobilidade urbana, com transportes dignos, e gratuitos para os mais pobres. Porem vale destacar a falta de respeito por partes dos governantes com esta população, com atrasos abusivos na entrega do Passe Livre que é de direito no qual garanti através do seu acesso outros serviços básicos para sua subsistência. Neste contexto, é necessário promover ações que divulguem os direitos das pessoas com deficiências, que a falta de respeito seja revisto e garanta o direito e acesso a mobilidade urbana.